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Lourival Marques
ACERVO DE ACETATOS - SÉRIE DEPOIMENTOS



SÉRIE DEPOIMENTOS
Esta série inclui o que, a nosso ver, se constitui na melhor documentação jamais reunida para servir de subsidio a quem desejar contar a verdadeira história da Rádio Nacional em particular e a do rádio em geral. Todos os depoimentos constantes desta série foram obtidos por Lourival Marques para serem utilizados nos programas que ele escreveu por ocasião das comemorações do quadragésimo aniversário da emissora. Na época foram ouvidos: José Mauro, Haroldo Barbosa, Paulo Tapajós, Radamés Gnattali, Alberto Lazzoli, Maestro Chiquinho, Luciano Perrone, Amaral Gurgel, Ghiaroni, Floriano Faissal, Saint Clair Lopes, Edmo do Valle, Silvino Neto, Brandão Filho, César de Alencar, Manoel Barcelos, Antônio Cordeiro, Ruy Rey, Jorge Veiga e Jorge Fernandes. A todos Lourival pedia inicialmente que eles falassem de si mesmos, antes de chegar a Rádio Nacional e só na parte final cada um falava de sua participação na emissora. Há casos sensacionais e passagens da maior dramaticidade e também da maior hilariedade com os humoristas entrevistados. Veja a seguir as principais informações contidas em cada um deles.

O acervo abaixo só poderá ser transcrito para efeito de pesquisa.
Informações adicionais pelo e-mail info2012@collectors.com.br

AER384 - DEPOIMENTO DE JOSÉ MAURO (00:44:45) - Restaurado
José Mauro foi um dos primeiros diretores artísticos da Rádio Nacional. Mais precisamente o terceiro. O primeiro foi Oduwaldo Cozzi. O segundo Celso Guimarães e finalmente o terceiro José Mauro. Veio do jornal A noite onde trabalhava como redator. Ele se destacou logo na Rádio Nacional e acabou se transformando num dos mais dinâmicos diretores da Rádio Nacional. Foi em sua gestão que surgiu a novela Em busca da felicidade, o programa Um milhão de melodias, Rádio Almanaque Kolynos, Dona Música, O Repórter Esso, Neguinho e Juracy, Aquarelas do Brasil, Aquarelas das Américas e Aquarelas do Mundo. Instantâneos sonoros do Brasil, de Almirante mas com texto de José Mauro. Enfim: o homem se revelou um gênio no Rádio e por isso o Rádio lhe deve muito. Ouçam com atenção o seu depoimento. Ele faz revelações muito importantes sobre a sua passagem pela Rádio Nacional.

AER385 e 386 - DEPOIMENTO HAROLDO BARBOSA (01:27:41) - Restaurado
Haroldo Barbosa Haroldo Barbosa se notabilizou como produtor de programas radiofônicos mas começou sua carreira como contra-regra do Programa Casé. Na Rádio Nacional foi discotecário e posteriormente produtor de programas como Cavalgada da Alegria, Casa da sogra, Um milhão de melodias, Rádio Almanaque Kolynos (junto com José Mauro), Canção Romantica (Francisco Alves) onde ele fazia as versões dos sucessos internacionais para Chico cantar, além de escrever programas humorísticos e algumas novelas. Era, talvez, o mais versátil homem de rádio daquela época pois tocava todos os instrumentos. Em seu depoimento ele fala de sua participação no controle do Repórter Esso e na sua contribuição para a criação da famosa característica musical que anunciava as edições do famoso programa jornalístico. Haroldo nos conta também sua ida aos Estados Unidos para negociar a compra do equipamento que permitiria o lançamento dos discos Nacional, idéia que foi bombardeada pelas multi-nacionais do disco, o que levou Haroldo desgostoso a deixar a Rádio Nacional. Vale a pena conhecer esse talentoso homem de rádio que é reconhecido, em todos os depoimentos, como um dos mais completos que já passaram pela radiofonia nacional. No lado 2 da segunda fita incluímos uma audição integral do programa Rádio Almanaque Kolynos, escrito por ele.

AER387 e 388 - DEPOIMENTO DE PAULO TAPAJÓS (01:30:25) - Restaurado
Paulo Tapajós Paulo Tapajós nos presta um dos mais inteligentes depoimentos sobre sua participação no rádio. Começa com sua infância e a influência musical sofrida por seu pai e suas tias. Um dia Paulo aprendeu a tocar violão. Os irmãos Haroldo e Osvaldo logo se interessaram em aprender também. Paulo ensinou-os e depois passaram a brincar no terreiro cantando em trio as melodias dos Turunas da Mauriceia. Um dia, receberam a visita do Sr. Colombiano Villares, diretor artístico da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro que ouvindo o trio tocar no terreiro solicitou ao pai permissão para apresenta-los na Rádio Sociedade. E assim, em 22 de abril de 1928 - Paulo com 15 anos, Haroldo com 13 e Oswaldo com 11 tornaram-se artistas de rádio. Paulo estudou música com o maestro Lourenço Fernandes e passou por todas as etapas do aprendizado só faltando regência. Por causa deste conhecimento musical, Paulo Tapajós foi um dos mais competentes diretores artísticos da Rádio Nacional. Como cantor, formou durante muitos anos a dupla Irmãos Tapajós com Haroldo. Com a desistência de Haroldo, por volta de 1939, ele continuou cantando ora com o Trio Melodia ora com a Turma do Sereno e muitas vezes sozinho em programas da Rádio Nacional e da Rádio Tupi onde esteve durante algum tempo. Na Rádio Nacional produziu dois programas de peso: Um milhão de melodias (depois que José Mauro e Haroldo Barbosa deixaram o programa) e Quando canta o Brasil que é uma espécie de continuação de Um milhão de melodias. Produziu também a série Quando os maestros se encontram. Seu depoimento é muito rico de informações sobre o ambiente musical da Rádio Nacional, no seu tempo de diretor artístico.

AER389 - DEPOIMENTO DE RADAMÉS GNATTALI (00:58:16) - Restaurado
Radames Gnattali Radamés Gnattali foi talvez o Maestro de maior prestígio na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em seu depoimento ele conta detalhes de sua vida como músico, sua trajetória até chegar a Rádio Nacional onde conseguiu, graças ao grande poder de comunicação da emissora se projetar nacionalmente. Em seu depoimento ele cita os principais programas de que participou com destaque para Um milhão de melodias, Aquarelas do Brasil, Aquarelas das Américas e Aquarelas do Mundo. Fala de suas excursões pelo mundo e de suas principais obras musicais. Durante mais de uma hora Radamés - que era avesso a dar entrevistas e a falar de si mesmo - nos fala sobre os espetáculos de que participou e dá sua opinião sobre o panorama musical brasileiro na época da entrevista. Trata-se, portanto, de um documento da maior importância cultural e que nenhum estudioso da música e do rádio no Brasil poderá deixar de ouvir.
Mais Radamé Gnattali:
- http://www.bn.br
- http://www.dicionariompb.com.br

AER390 e 391 - DEPOIMENTO DE ALBERTO LAZZOLI (02:01:43) - Restaurado
Alberto Lazzoli era paulista da capital. Nasceu a 3 de julho de 1906 mas só foi registrado em 1º de Setembro daquele ano. Fez seus estudos normais porém ao demonstrar pendores musicais foi encaminhado ao pai de Léo Peracchi para os primeiros ensinamentos. Prosperou na música e chegou a se destacar no Oboé. Como a música não era suficiente para seu sustento estudou comércio, se formando em contador na Escola de Comércio Álvares Penteado e passou então a exercer junto com suas incursões musicais, as funções de auxiliar de escritório. Como músico tocou em todos os lugares menos em circo de cavalinhos. Assim foi se aperfeiçoando até se tornar solista de oboé na Sociedade de Concertos Sinfônicos, organizada em São Paulo. Numa das últimas vindas da famosa bailarina Ana Pavlova ao Brasil, Lazzoli teve oportunidade de acompanhá-la em um solo onde a bailarina procurava demonstrar suas habilidades. Nesse dia, o maestro pediu a Lazzoli que acelerasse o ritmo para dar mais vida a demonstração da bailarina. No final Pavlova elogiou o virtuosismo de Lazzoli confessando que quase perdera o equilíbrio. Lazzoli foi professor do Conservatório de São Paulo. Em 1934 veio para o Rio a fim de integrar a Orquestra do Teatro Municipal. Como o dinheiro era pouco completava o ordenado com aulas de música em Escolas Municipais. Em julho de 1936 passou a professor catedrático da Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, ocupando em várias oportunidades a direção da Escola. No Rádio foi diretor musical da Rádio Mayrink Veiga no tempo de César Ladeira. Em 1946 sai da Mayrink para a Nacional onde teve a oportunidade de dirigir, durante 10 anos consecutivos a orquestra que acompanhava Francisco Alves no seu famoso programa do meio-dia: Ao soar o carrilhão. Lazzoli informa que no seu tempo a Nacional possuía 199 músicos e 18 maestros. Os programas que participou foram: Honra ao mérito, O lado claro da vida, Festivais GE substituindo o Léo Peracchi, Concertos Philips, Momentos musicais Ford, Quando os maestros se encontram, Paisagens de Portugal e Quando os ponteiros se encontram. Um rico depoimento.

AER392 - DEPOIMENTO DO MAESTRO CHIQUINHO (01:01:31) - Restaurado
Francisco Duarte era o seu nome de batismo, nascido aqui mesmo, na Gamboa, no Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos de música com seu pai aos 8 anos de idade. Era muito brincalhão desde menino e isto fez dele, mais tarde, o Maestro da Simpatia Popular como era chamado por César de Alencar no seu programa semanal. Era o Maestro escalado para quase todos os programas de auditório não só pela sua alegria contagiante e sua comunicabilidade como porque era dono de uma risada engraçadíssima que era usada pelos animadores para puxar o riso do auditório. Começou como quase todos por baixo, tocando em circos, quermesses, gafieiras, etc. Participou em vários filmes brasileiros acompanhando os artistas da Rádio Nacional. Sua primeira estação de rádio foi a Rádio Club do Brasil onde se apresentava como Chiquinho e seu Ritmo. Foi lá que lançou o concurso Chiquinho a procura de alguém no qual saiu vencedora a Lenita Bruno que se tornou sua crooner em várias apresentações em boites e cassinos. Em 1 de julho de 1945 foi para o Rádio Nacional que, na época, estava associada a Rádio Guanabara e Chiquinho tocava nas duas estações. Além de Maestro e Regente de Orquestra era exímio trumpetista e como tal participava de outras orquestras da Rádio Nacional em programas como Um milhão de melodias, A lira de Xopotó e outros. Além disso era também compositor. É dele o famoso Mambo caçula gravado por Emilinha Borba. Tinha uma característica que era muito explorada por César de Alencar: o lenço. Por suar muito tinha sempre à mão um lenço e César às vezes o anunciava como o Maestro do Lenço. Por causa disso era obrigado a distribuir lenços entre as fãs tendo distribuído mais de mil deles. Fizeram até uma música com o nome de O lenço do Chiquinho que foi gravada pela Marlene com Chiquinho e sua Orquestra no acompanhamento. Além disso tudo participou de várias gravações da Columbia sendo a mais importante a de Orlando Silva cantando Lealdade. Foi, finalmente, convidado, em 1950, para chefiar o Arquivo Musical da Rádio Nacional e foi com lágrimas nos olhos que acompanhou a transferência desse arquivo para o Museu da Imagem e do Som. Segundo o depoimento de Chiquinho foram mais de cem mil músicas com suas partituras arquivadas em mais de 40.000 envelopes.

AER393 e 394 - DEPOIMENTO DE LUCIANO PERRONE (01:58:27) - Restaurado
Luciano Perrone nasceu no Rio de Janeiro em 1908. Filho do maestro Luis Perrone, chefe de bandas militares e diretor de várias orquestras do Rio de Janeiro entre 1908 e 1918. Luciano aprendeu música e canto tornando-se mais tarde baterista e como tal acabou sendo o mais famoso baterista do Brasil. Em 1927 já participava da Orquestra de Simon Bountman e fazia suas primeiras gravações na Odeon. Viajou mundo e foi muito laureado em todos os lugares onde teve oportunidade de apresentar suas habilidades. Ele mesmo conta quase tudo que fez em seu depoimento. Foi ele quem sugeriu a Radamés Gnattali aproveitar os outros instrumentos da orquestra para fazer a marcação do ritmo que antes era feita exclusivamente pelos instrumentos de percussão. Graças a esta sugestão nasceu a famosa introdução de Aquarela do Brasil criada por Radamés Gnattali. Luciano fez parte dos quadros da Rádio Nacional desde o primeiro dia da inauguração em 1936 e por isto tem muitas histórias para contar.

AER395 e 396 - DEPOIMENTO DE AMARAL GURGEL (01:25:12) - Restaurado
Amaral Gurgel Amaral Gurgel era novelista. Veio de São Paulo onde nasceu na cidade de Araraquara. Filho de músico não se interessou muito pela carreira do pai. Preferiu a literatura pela qual logo se interessou passando ao atingir idade suficiente a escrever versos e mais tarde peças teatrais. Tornou-se um razoável teatrólogo e depois novelista de rádio. Começou escrevendo para o teatro, em São Paulo e quando veio para o Rio trabalhou na Rádio Nacional, tendo mesmo participado, como ator, na novela Em busca da felicidade. Seu depoimento não foi de improviso. Estava escrito e foi lido. Esse fato permitiu a Amaral Gurgel fazer um magnífico relato sobre a evolução do rádio no Brasil. É um dos depoimentos mais completos apresentados nesta série. Quem tiver interesse na história do rádio-teatro no Brasil, não pode deixar de ouvir esse minucioso relato de Amaral Gurgel.

AER397 - DEPOIMENTO DE GHIARONI (01:02:38) - Restaurado
O depoimento de Ghiaroni está sem o início que, por defeito na fita, se perdeu. Mas dá perfeitamente para conhecer o pensamento desse notável homem de rádio, autor de vários programas de grande valor e inclusive de livros de poesia. Ele fala sobre sua trajetória antes de ingressar no rádio e, depois, tudo que fez quando trabalhou na Rádio Nacional. Cita os companheiros que com ele conviveram dando uma visão ampla do momento cultural do Rio de Janeiro do seu tempo. Foi também um dos diretores do famoso departamento de Rádio da Sidney Ross. Entrou para a Rádio Nacional em 1943 com 24 anos. Sua primeira tarefa foi traduzir para o inglês, língua que dominava razoavelmente, os programas que a Rádio Nacional transmitia em ondas curtas. Mais tarde passou a produzir seus próprios programas podendo-se destacar, entre eles: Romance Musical, Tancredo e Trancado, Programa Paulo Gracindo, Não estamos só e as novelas Um raio de luz, A gloriosa mentira, Mãe e outras. Ghiaroni é natural de Paraíba do Sul, aqui mesmo no Estado do Rio. Seu depoimento é rico de informações sobre sua época no rádio e sobre as pessoas que com ele conviveu.

AER398 e 399 - DEPOIMENTO DE FLORIANO FAISSAL (01:52:49) - Restaurado
Floriano Faissal Começou assistindo a Companhia de Revistas do Teatro São José quando foi convidado para entrar com figurante de uma peça e foi assim que tomou contato com o meio teatral. Ali fez de tudo desde figurante até ator, ensaiador, contra-regra, ponto, diretor, cenógrafo, enfim, tudo que pudesse interessá-lo no teatro. Foi Victor Costa quem o levou para a Rádio Nacional e com o tempo entregou-lhe a direção do Departamento de rádio-teatro onde pôde aplicar, então, toda a sua sabedoria e talento. Além da direção era também rádio-ator, cujo começo foi bem curioso. Victor precisava de um ator, numa emergência, para ser selecionado por um patrocinador. O candidato faltou mas Floriano estava de visita ao Victor e ele agarrou Floriano para substituir o ator faltante. Floriano protestou dizendo que não tinha prática de rádio. Victor respondeu que não tinha importância porque ele queria mesmo que o candidato fosse recusado e isto daria tempo para ele, Victor, ensaiar melhor a peça e, com calma, indicar um novo ator. Floriano fez o teste e... o Cliente o aprovou. Não houve outro jeito: Floriano foi contratado. Essa e muitas outras histórias curiosíssimas estão contadas por Floriano nas duas fitas do seu depoimento. No final acrescentamos uma audição de Neguinho e Juracy (Floriano e Ismênia dos Santos), um quadro humorístico do programa Tabuleiro da Baiana. Seu depoimento é muito rico de informações não só sobre o teatro em geral, onde ele começou, e o rádio-teatro onde ele pontificou na Rádio Nacional juntamente com Victor Costa de quem conta histórias.

AER400 - DEPOIMENTO DE SAINT CLAIR LOPES (00:55:47) - Restaurado
Saint Clair Lopes Saint Clair Lopes foi diretor da Rádio Nacional mas atuava como locutor, narrador e rádio-ator. Seu início foi, como de quase todos eles, muito difícil. Era um estudioso da radio-difusão no Brasil tendo mesmo escrito dois livros sobre o assunto. Sobressaiu-se, entretanto, como rádio-ator e se consagrou como o português da novela Em busca da felicidade: Benjamim Prates. Mais tarde teve papel destacado como O Sombra, um teatro trazido dos Estados Unidos por Gilberto Martins e aqui adaptado. Saint Clair tentou o rádio pela Rádio Club do Brasil no programa Horas do outro mundo, de Renato Murce. Apesar de muito elogiada a sua atuação não conseguiu o lugar. Resolveu então fazer o mesmo que Renato Murce: alugar um espaço na Rádio Educadora do Brasil onde teve destacada atuação e lançou o Original Programa. Angariava os anúncios, pagava aos artista e apresentava o programa. Durou pouco sua aventura, mas como tinha muito boa voz foi contratado para ser o locutor chefe da Rádio Educadora do Brasil. Cada estação tinha, naquela época, seu locutor chefe que caracterizava a emissora e Saint Clair passou então a ser a marca registrada da sua emissora. Isto por volta de 1934. Saint Clair Lopes trás, com este seu depoimento, uma notável contribuição para a história da evolução da radiofonia brasileira e a sua importância como fator de integração nacional. Uma verdadeira aula sobre o rádio no Brasil.

AER401 e 402 - DEPOIMENTO DE EDMO DO VALLE (01:56:33) - Restaurado
Edmo do Valle Edmo do Valle foi um dos pioneiros da contra-regra da Rádio Nacional e devido a sua dedicação e amor a emissora chegou a Diretor Artístico por volta de 1947/48. Era uma dos quatro diretores de programação e muito contribuiu para que a emissora chegasse ao elevado ponto a que chegou. Era, como Oduwaldo Cozzi, um disciplinador. Exigente e muito criativo destacou-se pela inventividade na criação de ruídos para a contra-regra do rádio-teatro. Seu depoimento revela muitos detalhes sobre a vida de vários personagens que habitaram o mundo da Rádio Nacional, além de severas críticas ao modo como hoje se faz rádio no Brasil. É a opinião de um experimentado homem de Rádio.

AER403 e 404 - DEPOIMENTO DE SILVINO NETO (01:17:29) - Restaurado
Silvino Neto Este é o mais divertido de todos os depoimentos. Como o leitor sabe, Silvino Neto era basicamente um humorista e como tal ele conduz seu depoimento sem, contudo, deixar de contar, com seriedade o seu difícil início profissional. Seu sonho era ser cantor e assim ele iniciou suas atividades em São Paulo pelas emissoras locais. Não fazia muito sucesso embora tivesse uma voz agradável como ele mesmo demonstra durante seu depoimento cantando vários trechos de tangos - seus preferidos. Em São Paulo conheceu Oduwaldo Cozzi e achou que vindo para o Rio receberia dele uma ajuda para ingressar no rádio carioca. Veio e aqui viveu, durante algum tempo, com muita dificuldade. Um dia, enfim, falou com Cozzi. Contou sua história e pediu uma chance. Cozzi era o diretor artístico da Rádio Nacional. Para surpresa sua Cozzi respondeu que como cantor não ajudaria Silvino Neto mas que se ele quisesse ser humorista, aí sim, havia uma vaga na Rádio. Silvino quase desmaiou. Humorista ? Mas ele nunca fora humorista na vida! Que história era aquela ? Cozzi então explicou que achava extraordinária a facilidade que Silvino tinha de imitar vozes pois em várias oportunidades o ouvira contando anedotas com as tais imitações. Que remédio. O jeito era aceitar pois estava morto de fome e precisava fazer alguma coisa. Foi assim que estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro "o maior humorista do Brasil" no dizer dos textos de chamada para o seu programa de estréia. No primeiro programa imitou Lamartine Babo e foi um sucesso. Daí pra frente virou humorista. No seu depoimento Silvino conta de onde ele extraiu as vozes dos seus famosos personagens: Pimpinela, Seu Acacio, Doutor Januário, Anestésio, Waldemar e outros. Ele tinha facilidade, também, para imitar as vozes dos políticos. E ele demonstra isso no seu depoimento. O de Ademar de Barros é simplesmente sensacional. Ele conta, também, com muita graça, sua aventura como vereador na Gaiola de Ouro - a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Imperdível.
http://www.silvinos.com/silvinonetto/vida.htm

AER405 e 406 - DEPOIMENTO DE BRANDÃO FILHO (02:04:12) - Restaurado
Brandão Filho Brandão veio do teatro tendo mesmo começado no circo onde atuou com Oscarito. Suas dificuldades eram tão grandes que teve de dormir em bancos de praça, local de onde Oscarito o tirou para dividir com ele um quarto. É uma das histórias de maior dramaticidade face a sua luta para chegar onde chegou. Seu primeiro grande sucesso no rádio foi, também como Saint Clair Lopes, na novela Em busca da felicidade onde fez o papel de um pequeno ladrão chamado "Mão leve". Segundo Brandão, foi Mão leve quem o projetou e seu sucesso, na novela foi tão grande que tiveram de aumentar sua participação para que ele aparecesse mais vezes. É um depoimento longo e tranqüilo dado por uma pessoa completamente diferente do Brandão Filho que conhecemos do Tancredo e Trancado e mesmo dos programas da Escolinha do Professor Raimundo onde ele figurava. Além de Tancredo e Trancado, Brandão participou com destaque em Casa da sogra, e no Balança mas não cai onde projetou-se mais ainda como o Primo Pobre. Em seu depoimento ele conta como nasceram todos os seus famosos personagens. Sua história é comovente e vale a pena ser escutada com todo carinho e respeito.

AER407 e 408 - DEPOIMENTO DE MANOEL BARCELOS (01:17:41) - Restaurado
Outro depoimento da maior importância para compreensão da história do Rádio. Manoel Barcelos, além de locutor e animador de programas de auditório, foi o presidente da ABR que deu ao radialista o seu Hospital. Ele conta sua luta para realizar este trabalho mas o mais importante é o que ele fazia em matéria de programas de rádio. A ousadia que empregava para animar seus programas, sendo mesmo um pioneiro do Aqui e Agora. No depoimento ele fala o que foram os Comandos Tupi chefiados por ele e assessorado por Edmar Morel e Edgar de Carvalho que invadia delegacias em busca da verdade da notícia. Ao falar dos Comandos Tupi ele ilustra com vários casos verídicos o que teve de enfrentar para desmascarar políticos, policiais e outros venais da época. Foi ele quem denunciou o Coice de Mula no famoso episódio do massacre do jornalista Nestor Moreira. Barcelos era gaúcho e foi lá, em Pelotas, que ele teve seu debut no Rádio. Começou fazendo reportagens na sua cidade natal sendo mesmo considerado, por Heron Domingues, como o pai da reportagem externa, ao vivo. De lá foi para Porto Alegre onde ficou um ano. Em seguida veio para o Rio de Janeiro tentar a vida. Aqui conseguiu um emprego mas no dia em que ia se apresentar viu em letras garrafais no Diário da Noite a notícias de um concurso para speakers da Rádio Tupi. Entrou em contato com o responsável pelo concurso e soube que seu número era o 153, total de candidatos inscritos. O concurso durou 8 dias e constou de várias provas. Foi aprovado e lá ficou quase 10 anos. Foi na Tupi que se tornou animador de auditório e criou o Programa Manoel Barcelos. Em 1944 foi para a Rádio Globo e de lá voltou para a Rádio Tupi onde ficou mais algum tempo. Desgostoso com ciumeiras ocupou o microfone e se despediu dizendo que estaria de volta, em breve, por outra emissora. Foi ouvido por Victor Costa que o convidou para a Rádio Nacional onde estreou como locutor comum. Só 6 meses depois ele se animou a fazer programas de auditório, tal o medo que a Rádio Nacional lhe inspirava. Lançou 6 meses depois o programa Variedades Manoel Baracelos e a partir daí seu sucesso não parou mais. Barcelos foi o principal competidor do Programa César de Alencar. Os dois dividiam a audiência dos programas de auditório da casa. No final da segunda fita há trechos de programas de auditório animados por ele.

AER409 e 410 - DEPOIMENTOS DE AFRÂNIO RODRIGUES E RUBENS AMARAL (01:26:32 & 00:36:04) - Restaurado
Afrânio Rodrigues e Rubens Amaral foram dois importantes locutores da Rádio Nacional. O primeiro lá permaneceu até o fim enquanto que o segundo esteve na BBC de Londres, na Rádio Globo e foi um dos primeiros diretores da TV-Globo. Afrânio era o locutor indicado para a maioria dos programas de auditório tendo trabalhado durante muito tempo com César de Alencar. Era o narrador oficial do programa Balança mas não cai. Era, também, o locutor enviado pela Rádio para apresentar fora da rádio os shows dos artistas da emissora pela sua facilidade de improvisação e sua simpatia. O depoimento de ambos tem várias informações preciosas para uma melhor compreensão do panorama radiofônica daquela época. Rubens Amaral, entre outras coisas, sustenta o galardão de ter sido o primeiro locutor a apresentar o Repórter Esso. É que no começo o programa era lido pelo locutor do horário e Rubens, na época, era o locutor do horário matutino da Rádio Nacional, cabendo-lhe, portanto, a leitura do primeiro Repórter Esso no horário de 8 horas da manhã. Há mais informações valiosas no depoimento desses dois expoentes da classe de locutores brasileiros.

AER411 - DEPOIMENTO DE ANTÔNIO CORDEIRO (01:02:29) - Restaurado
Antônio Cordeiro era o locutor esportivo da Rádio Nacional e por isso tinha grandes dificuldades de transmitir suas partidas de futebol face a programação de sábado, onde pontificava o Programa César de Alencar. Assim mesmo, devido as 4 estações de ondas curtas, era um dos locutores mais ouvidos do Brasil e muito respeitado entre os colegas. Em seu depoimento ele relata seus feitos à frente do Departamento Esportivo da Nacional e fala dos outros locutores da sua época.

AER412 - DEPOIMENTO DE RUY REY (00:55:47) - Restaurado
Ruy Rey Ruy Rey era o intérprete das músicas latino-americanas na programação da Rádio Nacional. Veio de São Paulo e aqui chegou a organizar sua própria orquestra com a qual se apresentava vestido a caráter ou seja com maracas e aquela roupa enfeitada de babados usada pelos caribenhos. Fazia sucesso entre as fãs mas no seu depoimento revela que ganhava mais fazendo shows pelo interior do que como cantor da Rádio Nacional e por isso, freqüentemente faltava aos programas para ganhar mais dinheiro lá fora. Isto aborrecia, principalmente ao César de Alencar em cujo programa era anunciando como "o cantor de las Américas". É bem curioso o depoimento de Ruy Rey.

413 e 414 - DEPOIMENTO DE JORGE VEIGA (01:25:29) - Restaurado
Jorge Veiga Jorge Veiga era carioca e neste depoimento ele fala da sua vida, sua luta para chegar ao estrelato, sua trajetória musical, seus sucessos, suas gravadoras e seus sonhos. Ao longo do depoimento ele recorda, cantando, muitos dos seus grandes sucessos cuja relação é a seguinte: A última estrofe - Garota de Copacabana - Aviadores do Brasil - Quem chorou fui eu - Reza por nosso amor - Na China - Não posso mais - Bigurrilho- Bigu - Na cadência do samba - Garota de Saint Tropez - Café Soçaite - Hino a Santa Cecília - A mãe da Faustina - Iracema\- O que é que eu tenho com isso ? - Rosalina. Durante o depoimento ele contra como nasceu a história sobre a frase Alô, Alô aviadores do Brasil que resultou numa homenagem da Força Aérea Brasileira. É um depoimento cheio de bossa.

AER415 - DEPOIMENTO DE JORGE FERNANDES (00:47:53) - Restaurado
Nascido de família tradicional, Jorge Fernandes cresceu em ambiente artístico e desde pequeno cantava músicas francesas, aprendendo piano e violão com os pais. Quando iniciou na música brasileira deu preferência para a música folclórica tornando-se um dos maiores intérpretes brasileiro, no gênero. Por isso mesmo era um dos intérpretes preferidos de Waldemar Henrique com quem gravou um LP de 10 polegadas na Sinter. Também gravou para a Sinter outro LP com a música Essa nêga fulô, calcado no poema de Jorge de Lima com este nome e musicado por Waldemar Henrique. No final do seu depoimento dá um pequeno recital com as músicas de Waldemar Henrique: Minha terra - Coco peneruê - Tamba-tajá - Boi bumbá e Foi boto, sinhá. Declamou ainda o poema Sôdade, de autoria de Luiz Peixoto. Um depoimento de um homem fino para a sensibilidade daqueles que apreciam a nossa música folclórica.

AER184, 185 e 186 - DEPOIMENTO DE CÉSAR DE ALENCAR (02:08:34) - Restaurado
César de Alencar Depoimento prestado pelo radialista mais famoso como animador de auditório a Lourival Marques por ocasião das comemorações do quadragésimo aniversário da Rádio Nacional. César de Alencar presta um longo depoimento que começa com a sua vida antes de entrar para o rádio. Fala depois como chegou ao Rádio Club do Brasil pelas mãos de Renato Murce e como candidato a locutor esportivo. Explica depois como chegou a animador de auditório e daí o seu pulo para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro inicialmente como locutor comum. Termina o seu depoimento contando todos os sucessos alcançados com o Programa César de Alencar que se tornou o mais famoso programa de auditório do Brasil.
http://www.valda.com.br/radio.htm


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