Esta coleção tem por finalidade resgatar a memória do Rádio brasileiro.
Os que conheceram o Rádio nos seus tempos áureos devem se recordar do importante
papel desempenhado por esse veículo na comunicação de massa e na integração nacional.
Sem o Rádio, possivelmente, o Brasil teria se dividido em várias partes com hábitos
e até línguas diferentes. O Rádio teve o mérito de impedir que isso acontecesse
levando, através das ondas curtas, a mensagem que unia todos os brasileiros em
torno de um mesmo ideal e uma mesma língua.
O Rádio teve início no Brasil na década de 20 e daí até meados
da década de 60 exerceu sua influência benéfica sobre o povo brasileiro. Por ser
um veículo que se comunicava apenas pelo sentido da audição, fazia com que a
imaginação fosse estimulada para se "visualizar" mentalmente aquilo que
estava sendo transmitindo. Em conseqüência, as pessoas atingidas
eram mais criativas graças a este estímulo à imaginação. Com o advento da
Televisão a coisa mudou. A Televisão mostra tudo e
não exige que o espectador desenvolva a imaginação.
O Rádio daquela época era didático. Os programas procuravam
transmitir conhecimentos ao povo, tanto na área da cultura geral como na área da moral.
Não havia programas de violência e instigação sexual. Tudo era feito de modo a
educar o povo. Além disso proporcionava informação musical mais refinada pois
apresentava programas musicais de alto nível, tanto na área popular como na
área erudita. Havia, naquele tempo, muito mais música composta por pessoas
de alto nível cultural, tais como advogados, médicos, jornalistas, enfim,
pessoas que possuíam instrução superior.
Programas como Um milhão de melodias, Festivais GE,
Ondas musicais, Quando canta o Brasil ou mesmo os programas dos principais
cantores da época como Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo,
Vicente Celestino, Dalva de Oliveira ou Sílvio Caldas eram apresentados
todas as semanas levando portanto, com freqüência, boa música ao ouvinte.
Se o problema era rir, tínha a P.R.K. 30, o Balança mas não cai,
Tancredo e Trancado ou Piadas do Manduca que apresentava humorismo sadio sem
descambar para a pornografia.
Havia a Ginástica pelo Rádio, havia o Rádio Almanaque Kolynos,
os programas de Almirante como Curiosidades Musicais, No tempo de Noel Rosa,
O pessoal da Velha Guarda, Caixa de Perguntas, Instantâneos Sonoros do Brasil,
Aquarelas do Brasil, A história do Rio pela música, havia o Dicionário Toddy,
a biografia dos grandes músicos em Convite à Música e outros programas de
nível cultural elevado.
No Rádio-teatro estava o forte do Rádio.
Histórias bem escritas, instrutivas e construtivas como Atire a primeira pedra,
Que o céu me condene, Grande Teatro De Millus, Grande Teatro Toddy,
Obrigado Doutor (exaltando a classe médica), Romance Musical e muitos outros
escritos por autores consagrados ou textos adaptados de grandes teatrólogos.
O Brasil inteiro ligava-se no Repórter Esso para saber
o que se passava no país e nele não ouvia notícias de crime que só eram
referidas se fossem de relevante importância envolvendo personalidades
de destaque na sociedade. Hoje, qualquer desastre de automóvel, dos
que acontecem aos milhares no país, é noticiado com destaque.
Na coleção Assim era o rádio, estamos trazendo de
volta a lembrança de como era o Rádio e como ele era útil na formação moral
e cultural do nosso povo. A Coleção representa uma contribuição aos estudiosos
que desejarem conhecer melhor uma Época de Ouro da vida brasileira.