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O baião é das músicas regionais brasileiras a única que conseguiu, de fato, projeção nacional (e até internacional com o Baião de Ana, gravado por Silvana Mangano). A rancheira gaúcha, o calango mineiro e outras não tiveram a mesma sorte. Esse gênero de música tipicamente nordestina foi transformado em música popular urbana a partir de meados da década de 40 graças ao trabalho de Luiz Gonzaga (o rei do baião) e Humberto Teixeira (o doutor do baião). Segundo Tinhorão o baião teria nascido provavelmente de uma forma especial dos violeiros tocarem lundu na zona rural do nordeste estruturando-se em seguida como música de dança. A evolução passou pelo balanceio criado por Lauro Maia, mas incluía no dizer do própria Humberto Teixeira as estrofes de Rogaciano Leite e a viola do cego Aderaldo, conhecidos compositores e instrumentistas nordestinos. Dessa mistura nasceu o baião. O grande divulgador e fixador do baião cantado como gênero de música popular brasileira foi Luiz Gonzaga. Em entrevista publicada em 1972 ele afirmou textualmente: "Quando toquei o baião para ele (referia-se a Humberto Teixeira) saiu a idéia de um novo gênero. Mas o baião já existia como coisa de folclore. Eu o tirei do bojo da viola do cantador, quando faz o tempero para entrar na cantoria e dá aquela batida, aquela cadência no bojo da viola. A palavra também já existia. Uns dizem que vem do baiano outros que vem de baía grande. O que não existia era uma música que caracterizasse o baião como ritmo. Era uma coisa que falava: Dá um baião ai... Tinha só o tempero, que era prelúdio da cantoria. É aquilo que o cantador faz, quando começa a pontilhar a viola, esperando a inspiração." Esta música que caracteriza o baião explodiu em 1946 no mercado musical, naquela época saturado de bolero e mesmo sambas-canções abolerados. Apareceu como uma redescoberta. A maioria dos baiões bem sucedidos no mercado interno é constituída de baiões cantados por Luiz Gonzaga, Carmélia Alves, 4 Azes e 1 Coringa, Luiz Vieira e outros e cujas autorias são atribuídas ao próprio Luiz, Humberto Teixeira, Zé Dantas, Lauro Maia, Hervê Cordovil e outros. Há entretanto o baião instrumental de Waldir de Azevedo que abriu o caminho para a divulgação do novo ritmo em todo o mundo. O exemplo mais significativo é Delicado, que acabou recebendo duas letras: a que foi cantada por Carmen Miranda na sua última apresentação pública, no show do Jimmy Duran e a que Ademilde Fonseca gravou, aqui no Brasil. A voga do baião, embora avassaladora na década de 40 e 50, não durou muito pois já na década dos 60 tinha início o seu declínio. Hoje está praticamente desaparecido e é revivido apenas nas coleções de nostalgia. Catalogamos duas matrizes para representar o gênero. Uma tendo de um lado um trecho de um programa da Rádio Nacional produzido por Humberto Texeira e Zé Dantas onde a história do baião é contada. Em seguida mostramos uma seleção dos baiões cantados no programa No mundo do baião. Na segunda matriz prosseguimos com a seleção, incluindo alguns que ficaram famosos na voz de Carmélia Alves, a rainha do baião. Selecione o acervo para ver a lista. José Maria Campos Manzo |