| A valsa foi a primeira dança de salão com o par enlaçado. Por isso teve aceitação imediata nos salões da aristocracia européia no início do Século XIX. Em 1815 houve um Congresso em Viena para fixar a nova geografia da Europa libertada do domínio de Napoleão e nesse Congresso a valsa foi admitida nos bailes ali realizados, tornando-se dai por diante uma dança de sociedade. A programação musical do Congresso foi confiada a Sigismond Neukomm - o compositor austríaco que no ano seguinte veio para o Brasil ensinar composição a D. Pedro I, e piano a Princesa Leopoldina e outros. No seu Diário, Neukomm deixou uma relação de todas as suas obras, inclusive as compostas no Brasil. Nesse Diário se encontram, ainda, informações que permitiram ao músico e pesquisador Mozart de Araujo concluir que: - A valsa já existia no Brasil em 1819.
- As valsas de D. Pedro I foram as primeiras a serem compostas no Brasil.
- A valsa, no Brasil, como a modinha, teve ascendência nobre, tendo surgido no Paço Imperial.
- A valsa chegou ao Brasil diretamente de Viena, capital da Áustria, e não através da França ou Portugal como alguns historiadores admitem.
As primeiras valsas assinadas pôr compositores brasileiros seguem os modelos da valsa vienense. Foi igualmente grande, no Brasil, a influência das valsas de operetas, assim como as do café-concerto e mesmo as valsas dos filmes americanos já nas décadas de 30 e 40 do século XX. O abrasileiramento da valsa, surgida no Primeiro Império, se processou lentamente, ganhando maior realce por volta de 1870, por ocasião da Guerra do Paraguai e a partir dai viveu o seu esplendor entre nós. É impressionante como a valsa se amoldou aos diversos níveis artísticos da música brasileira tanto no terreno da música folclórica como popular ou erudita. Ela figura no catálogo das obras de Alberto Nepomuceno, Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Carlos Gomes e Francisco Mignone da mesma forma como é ouvida no fundo do quintal dos chorões cariocas ou executadas nas sanfonas de oito baixos do interior do país. Para avaliar a riqueza do acervo fabuloso de valsas que o Brasil possui basta comparar a singeleza melódica de uma Saudades do matão, de Jorge Galati com o refinamento de gosto e o requinte da Elegantíssima de Ernesto Nazareth. José Maria Campos Manzo |