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Bando da Lua

RESUMO BIOGRÁFICO


Bando da Lua

Em 1929 nascia o Bando da Lua fundado por Aloisio de Oliveira e os companheiros Hélio Jordão Pereira, Afonso Osório, Stênio Osório, Armando Osório, Osvaldo Éboli, Ivo Astolfi, Diego Astolfi e uns primos deste último cujos nomes não são lembrados, num total de 12 pessoas. No começo chamava-se o Bloco do Bimbo que Aloísio em seu livro "De banda pra lua" não soube explicar porque Bimbo. O nome Bando não era original. Almirante, Noel, João de Barro, Alvinho e Henrique Brito já haviam, pouco tempo antes, criado o Bando de Tangarás mas que também não foi o primeiro conjunto vocal brasileiro. Ao que parece e até prova em contrario tudo começou com o Grupo do Caxangá por volta de 1917 e que era um misto de Conjunto Regional com Conjunto Vocal. Cantavam Oscar de Moraes (Mané do Riachão), João Pernambuco (Guajurema) e Monteiro Lopes (Mané Gosado). Depois vieram os Turunas Pernambucanos em 1922 com a mesma característica de Conjunto Regional e Conjunto Vocal. Cantavam: Jararaca e Artur Costa. Com os Turunas Pernambucanos várias emboladas tiveram estrondoso sucesso principalmente depois que vieram para o Rio de Janeiro: Vamos apanhá limão, Ô João, Oia o sapo dentro do saco, o saco com o sapo dentro, Espingarda pá, pá, pá, faca de ponta, tá, tá, tá, etc.

Em 1927 chegou ao Rio de Janeiro, depois de apresentar-se no Recife, um novo grupo sertanejo, denominado Turunas da Mauriceia e do qual fazia parte Augusto Calheiros. Foram os Turunas da Mauriceia quem inspiraram os componentes do Conjunto Flor do Tempo a se transformarem no famoso Bando de Tangarás. A primeira gravação dos Turunas da Mauriceia foi Amor secreto e Indurinha do coqueiro (Odeon 10.067) lançada em novembro de 1927 e a do Bando de Tangarás foi Anedotas e Galo Garnizé (Odeon 10.439) lançada em Agosto de 1929 e gravada provavelmente em junho daquele ano. No livro "No tempo de Noel Rosa", Almirante fala que a primeira gravação foi Vamos falá do norte (Parlophon 13.010) porem esta gravação, de acordo com a Discografia Brasileira em 78 rpm só foi lançada em setembro, daquele ano.

O Bando da Lua começou a gravar em 1931, na Brunswick. Seu primeiro disco foi Que tal a vida e Ti de mona (Brunswick 10,163). No primeiro o crooner não é Aloisio de Oliveira e sim Castro Barbosa mas no segundo já é Aloisio de Oliveira. No livro Aloisio esclarece que "mona" quer dizer "porre". Este primeiro disco foi lançado em fevereiro de 1931. O segundo disco só veio a ocorrer em 21.12.32 (Odeon 10.959): Ôpa, ôpa! e É tua sina. Em maio de 33 saiu o disco Odeon 11.033 com Muita gente diz que é bamba e Imaginem só. Esta última música, novamente, com Castro Barbosa como crooner. Em dezembro de 1933 o Bando da Lua grava na Victor (33.741) seu primeiro disco e talvez o seu primeiro grande sucesso: A hora é boa e Bis, sendo que esta última de autoria de Assis Valente e Lamartine Babo.

Em 1934, ainda na Victor são lançados os seguintes discos do Bando: A noite vem descendo/Se você quiser saber (33.791), Tristeza/Diga, diga, do (33.811); Gosto mais do outro lado/Badaladas (33.852); Três estrelas/ Bem me quer, mal de quer (33.862); Lua triste/Segure a mão (33.891) e Abandona o preconceito/É do barulho (33.908).

Em 1935 são lançados os seguintes discos do Bando: Mangueira/Eu me lembro de você (Victor 33.929); Raiando/Boa noite (Victor 33.952); Lalá (Victor 33.958); Vou-me embora te levando/A saudade me viu (Victor 33.990); Seleções do filme Meu maior desejo/Ela é moreninha (Odeon 11.230); Não resta a menor dúvida/ Negócios de família (Victor 34.008); Maria boa/Menina que pinta o sete (Victor (34.009); Fulana/Uma voz de longe me chamou (Victor 34.010); O teu olhar (Victor 34.045).

A partir de 1936 o Bando da Lua grava só na Victor até 1938. Em 1939 vai para os Estados Unidos acompanhando Carmen Miranda e volta ao Brasil em 1940 quando realizou a gravação de dois discos na Columbia.

Em 1936 foram editados os seguintes discos Victor: Lobo mau/Cirandinha (34.053); Salve Mangueira/Nem prá frente, nem prá trás (34.081); Madrugada/Telhadinho de zinco (34.108); Olha a lua/Chiribiribi quaquá (34.115); Que é que Maria tem/Só conheço uma (34.124) e Adivinhação/Cansado de sambar (34.133).

Em 1937 a Victor lançou os seguintes discos do Bando da Lua: Quando a lua la no céu brilhou/Menina das lojas (34.161); Vem cá, laiá/Minha deusa partiu (34.191); Marchinha do grande galo/Saudades do meu barracão (34.232); Trá lá lá lá/Por esta você passa (34.233); O teu cabelo não nega/Linda morena (34.248); Questão de vez/Deixa o passado (34.259) e Foi pouco/Bola preta (34.268).

Em 1938 saíram os seguintes discos: Arara/Não quero não (34.282); Star dust/Goody gody (34.298); O amor não vale um tostão/Pegando fogo (34..393) e Eu quero um beijo/Foi Maria (34.406).

Como dissemos o Bando voltou ao Brasil em 1940 e gravou na Columbia os seguintes discos: E o vento levou/Ora, ora (55.243) e Samba da minha terra/Quero ver (5 5.245).

Em 1941 gravou nos Estados Unidos, na Decca americana os seguintes discos: Maria boa/Cansado de sambar; Na aldeia/Lig lig lé e É bom parar.

Em 1949, novamente na Decca gravou: Nêga do cabelo duro/Chiquita bacana; Canoeiro/Malagueña.

Em 1950 o Bando gravou na Decca: Rag mob samba/Bibbidi - bobbidi - boo (A canção mágica)

Finalmente em 1954 gravou In the mood com uma versão de Aloisio de Oliveira Edmundo.

O Bando da Lua acompanhou Carmen Miranda em várias gravações e que aparecem no acervo da cantora.

Todas as gravações mencionadas acima estão reproduzidas no acervo do Bando da Lua que a Collector's está disponibilizando no site.

Depois do Bando da Lua surgiram mais os seguintes Conjuntos Vocais: Grupo X (1936); Anjos do Inferno (1937); Quatro Azes e Um Coringa (1941); Namorados da Lua (1942);Vagalumes do Luar (1945); Os trovadores (1945); Garotos da Lua (1946); Vocalistas Tropicais (1946); Os Cariocas (1948) e Demônios da Garoa (1950) entre outros menos famosos. Os números entre parênteses indicam o ano da primeira gravação.

José Maria Campos Manzo   
Collector's Notícias Setembro/Outubro 1994    

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