Luiz Gonzaga

RESUMO BIOGRÁFICO
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Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga do Nascimento era seu verdadeiro nome. Cantor, compositor e sanfoneiro ficou conhecido como o Rei do Baião. Sua mãe Ana Batista, conhecida como Santana, era descendente, embora não totalmente reconhecida, dos Alencar, fundadores da cidade de Exu. Seu pai, Severino Januário, era lavrador e reconhecido sanfoneiro da região toda.

1909
Casaram-se indo morar no Baixio dos Doidos, hoje conhecido como Timorante, um povoado da fazenda Caiçara. Luiz foi o segundo filho do casal. Na hora do batizado, seu sobrenome acabou destoando dos outros irmãos, sem o Januário dos Santos. Foi chamado Luiz por ter nascido no dia de Santa Luzia. Gonzaga, por ser o complemento do nome de São Luiz e Nascimento, por ser o mês de Natal, ficando dessa forma como Luiz Gonzaga do Nascimento. Segundo um de seus biógrafos, Gildson Oliveira, uma de suas irmãs, Socorro Januário, dizia que ouvira a mãe dizer que "só tivera o direito de ganhar o filho, porque ele seria do povo até a morte". Ainda segundo Gildson, quando Luiz tinha de seis a oito meses, uma cigana teria olhado para ele e predito que "ele será do mundo, vai andar tanto, por cima e por baixo, que criará feridas nos pés". Com sete anos, Gonzaga já pegava na enxada, trabalhando na lavoura, e nas horas vagas ficava vendo o pai tocar sanfona e ia aprendendo a gostar do instrumento. Seu pai, além de tocador de fole, era também consertador de instrumentos e incentivava nos filhos o gosto musical, resultando que em sua casa a música fosse um divertimento. A família sempre comparecia a festas religiosas, batizados, casamentos e forrós, todos animados com bandas de pífanos, zabumba e concertina, além do fole de oito baixos, muitas vezes tocado por Januário. Com 12 anos de idade, Gonzaga já acompanhava o pai animando sambas em diversos terreiros pelo sertão do Araripe, onde fica a cidade de Exu. Aprendeu com o pai a afinação dos foles de oito baixos. Com a proteção dada pelo patrão de seu pai, conhecido como Sinhô Aires, aprendeu as primeiras letras através dos ensinamentos das filhas do fazendeiro. Ganhou de Sinhô Aires um empréstimo de 60 mil réis, que juntou com outros 60 mil que também havia juntado, combinando com o patrão em não receber o ordenado para comprar sua primeira sanfona, da marca "veado" adquirida em Ouricuri, cidade pernambucana. Ainda jovem costumava animar bailes em diferentes localidades como Granito, Baixio dos Doidos, Rancharia e Cajazeiras, tendo que andar a pé mais de vinte léguas. Por essa época, enquanto ia e voltava das localidades onde se apresentava, acalentava o desejo de ser artista.

1924
Sua família teve a casa inundada pela cheia e foi obrigada a mudar-se, indo residir no povoado de Araripe, na fazenda Várzea Grande.

1926
Com apenas 14 anos já se apresentava profissionalmente, ganhando dinheiro nas apresentações que fazia em festas. Por essa época, radicou-se na cidade de Exu, um grupo de escoteiros que se dedicou à alfabetização de jovens da região. Luiz foi convencido pelo amigo e filho do coronel Aires, Gilberto, a mudar para a cidade a fim de estudar, sustentando-se com apresentações em festas particulares.

1930
Antes de completar dezoito anos, um fato mudaria a trajetória de sua vida. Apaixonara-se por uma menina de família branca e tradicional na região, e o pai da mesma não permitiria o namoro por considerar Gonzaga um sanfoneirozinho sem futuro. Luiz foi tirar satisfações com o Coronel, que conhecido de sua família foi falar com sua mãe dizendo que somente não o matara em respeito a ela. Luiz levou uma surra exemplar da mãe e resolveu fugir de casa, dirigindo-se para a cidade de Crato no Ceará. Lá, vendeu a sanfona para pegar um trem até Fortaleza, a capital cearense, onde entrou para o batalhão de Caçadores. No 23º Batalhão de Caçadores tornou-se o corneteiro 122, também conhecido como "Bico de aço". Algum tempo depois, transferido para o sul de Minas e já servindo no Sudeste, prestou prova para sanfoneiro da banda da Polícia Militar de Minas Gerais, mas foi reprovado por desconhecer a escala musical. Passou então a estudar teoria musical e ao mesmo tempo a aprender as músicas que faziam sucesso no centro-sul do país, como polcas, valsas, boleros, rancheiras, tangos e outros ritmos. Por essa época, servindo em Juiz de Fora, costumava tocar em festas nas horas de folga.

1937
Foi transferido para Ouro Fino, onde conheceu o advogado Raul Apocalipse, que organizava festas no Clube Éden local, e convidou Gonzaga para apresentar-se, propiciando-lhe a primeira oportunidade para tocar diante de um público urbano.

1938
Foi vítima de um golpe de um caixeiro viajante que lhe vendeu uma sanfona branca de 80 baixos à prestação, que seria entregue em São Paulo quando o pagamento acabasse. Depois de pagar várias prestações, Gonzaga rifou a sanfona que tinha e com o dinheiro arrecadado foi para São Paulo. Quando lá chegou, qual não foi sua surpresa ao descobrir que o endereço dado pelo caixeiro viajante era falso. No hotel em que se hospedara e que pertencia a um italiano, acabou conseguindo comprar uma sanfona idêntica à que o caixeiro lhe prometera, pertencente ao filho do proprietário do hotel. Por 700 mil réis, Gonzaga obteve uma sanfona Horner branca de 80 baixos e retornou para Ouro Fino.

1939
Ao completar dez anos de exército, teve de dar baixa, pois segundo o regulamento não se permitia soldados com mais de 10 anos de serviço. No mesmo ano embarcou para o Rio de Janeiro, onde pegaria um navio de volta para Pernambuco. No Rio de Janeiro conheceu o ex-marinheiro e violonista Xavier Pinheiro, que tocava na noite e apresentava-se em programas na Rádio Vera Cruz. Passou a apresentar-se no Bar Espanhol, no Mangue, zona de baixa prostituição carioca, além de tocar em festas de subúrbio, bares da Lapa e também nas docas, onde corria o chápeu para arrecadar uns trocados. Começou a aprimorar seu repertório tocando músicas da moda, como tangos, valsas e foxtrotes. No início da década de 40 comprou uma sanfona de 120 baixos e foi apresentado por Xavier Pinheiro a Antenógenes Silva, o mais famoso acordeonista da época, com quem começou a estudar.

1940
No Rio de Janeiro, depois de algum tempo tocando em bares no Mangue e também, logo em seguida, na Lapa, começou a freqüentar nos programas de calouros "Calouros em desfile" de Ary Barroso na Rádio Tupi e "Papel carbono" de Renato Murce na Rádio Clube. O sucesso nos programas de calouro entretanto não chegava e Gonzaga continuou a apresentar-se nos bares do Mangue e da Lapa. No Bar Cidade Nova no Mangue, conheceu um grupo de estudantes cearenses que lhe pediram para tocar alguma coisa nordestina, o que ele até então se furtara tentando adaptar-se mais e mais ao modo de vida carioca e escondendo a raiz nordestina. Preparou então as músicas Pé de serra, uma polca mais tarde gravada com o título de Xamego, e Vira e mexe, música de sua terra natal. O sucesso da apresentação de Pé de serra foi imediato: o público aplaudiu delirantemente e até mesmo os passantes da rua se aproximaram e o bar lotou. Retornou então ao programa de calouros de Ary Barroso, impulsionado também pela necessidade de dinheiro para ajudar a família vitimada pela seca no Nordeste, conforme lhe dissera o irmão José Januário, que o procurara em busca de ajuda. No "Calouros em desfile", em vez de apresentar o repertório da moda, apresentou o Vira e mexe e foi um sucesso, obtendo a nota máxima, o 5 raramente dado a alguém por Ary Barroso, além do prêmio de 150 mil réis. Por essa época costumava atuar na Rádio Transmissora acompanhando Zé do Norte e Manuel Monteiro, que por lá se apresentavam. Pouco depois foi convidado para atuar como sanfoneiro numa gravação de Genésio Arruda na RCA. Sua participação foi tão boa que logo depois da gravação foi apresentado ao diretor da gravadora, Ernesto Matos, que lhe pediu para tocar uma valsa ou uma rancheira. Gonzaga tocou as valsas Saudades de São João Del Rey e Numa serenata, apresentando em seguida a rancheira Véspera de São João, Vira e mexe e Pé de serra. Foi convidado a voltar no dia seguinte e fazer uma gravação. No mesmo dia Genésio Arruda convidou-o para apresentar-se diariamente no teatro de revista no qual estava atuando. Ainda em 1940 foi contratado pela Rádio Clube do Brasil para substituir Antenógenes Silva no programa "Alma do sertão", além de atuar em outros programas da rádio. Paralelamente apresentava-se com enorme sucesso em inúmeros dancings no centro da cidade, como "Assírio", "Eldorado", "Belas Artes" e "Farolito".

1941
Estreou em disco gravando pela Victor, gravadora na qual permaneceu a maior parte de sua carreira. Em maio saiu a mazurca Véspera de São João de sua autoria e F. Reis e a valsa Numa serenata de sua autoria. Em junho saiu um segundo disco com a valsa Saudades de São João del Rey de Simão Jandi e o xamego Vira e mexe de sua autoria. Ressalte-se que o xamego nunca existiu enquanto gênero musical, sendo na verdade um comentário do irmão de Gonzaga, Januário, segundo a qual a música Vira e mexe era um xamego, talvez em referência à sensualidade com que era tocada. Gonzaga apropriou-se do termo e muitas de suas composições passaram a ser apresentadas como xamego. Por essa época suas músicas eram instrumentais. As letras começaram a aparecer com Miguel Lima, que começou a colocar letra nos temas apresentados por Gonzaga. No entanto, seu início como cantor acabou por custar-lhe o emprego na Rádio Tamoio, pois achavam sua voz inadequada. Por essa época foi considerado pelo jovem radialista César de Alencar como o "Maior Sanfoneiro Nordestino". Os dois primeiro discos renderam a Gonzaga sua primeira reportagem, publicada na revista carioca "Vitrine", com o título de "Luiz Gonzaga, o virtuoso do acordeon".

1942
Gravou, entre outras composições, o xamego Pé de serra, a polca Apitando na curva, o picadinho Calangotango e a mazurca Sant'Anna, todas de sua autoria.

1943
Assinou o primeiro contrato para atuar fora do Rio de Janeiro, fazendo uma temporada no Cassino Ahu em Curitiba, apresentado como o maior acordeonista do Brasil. No mesmo ano gravou do antigo companheiro Xavier Pinheiro a valsa Yvonne e de sua autoria o xamego O xamego da Guiomar, nome de uma namorada da época. Por essa época ganhou do violonista Dino, mais tarde conhecido como "Sete cordas", o apelido de "Lua", devido a sua cara redonda, apelido que seria popularizado por César de Alencar e Paulo Gracindo na Rádio Nacional.

1944
Teve suas primeiras composições gravadas por outro artista, a cantora Carmem Costa, que gravou Xamego, de sua autoria, e A mulher do Lino, composta em parceria com Miguel Lima. No mesmo ano gravou, entre outras,o choro Pingo namorando, o xamego Fazendo intriga e a valsa Vanda, todas de sua autoria.

1945
Teve gravadas suas primeiras parcerias com Miguel Lima, o samba Dezessete e setecentos e o xamego Xamego da Guiomar, por Manezinho Araújo. No mesmo ano, Gonzaga gravou os primeiros discos como cantor. A primeira foi a mazurca Dança da Mariquinha, com música de sua autoria e letra de Miguel Lima. Seu primeiro sucesso como cantor foi a mazurca Cortando pano, composta em parceria com Miguel Lima e J. Portella, que afirmou Gonzaga como cantor. Sua voz na época não era considerada boa, mas, com o sucesso de Cortando o pano, os critérios tiveram que ser modificados. No mesmo ano nasceu Luiz Gonzaga Jr., que, apesar de batizado e assumido por Gonzaga como filho, sempre teve essa paternidade colocada sob suspeita. Ainda em 1945 conheceu aquele que seria talvez o seu principal parceiro musical, o advogado cearense Humberto Teixeira. Mesmo com o sucesso obtido com Miguel Lima, Gonzaga continuava procurando alguém que o ajudasse a expressar melhor o sentimento de nordestinidade que ele trazia dentro de si. Encontrou-se com Lauro Maia, criador do balanceio, mas não chegou a um acordo. No primeiro encontro com Humberto Teixeira, no escritório de advocacia do mesmo, surgiu em dez minutos o esboço do xote No meu pé de serra, lançado em novembro do ano seguinte.

1946
Lançou diversas composições feitas com parcerias diferentes, como o choro É pra rir ou não é, com Carlos Barroso, o calango Calango da lacraia, com J. Portella, que se tornou enorme sucesso, a marcha Pão duro com Assis Valente e o chamego Xamego das cabrochas, com Miguel Lima. No mesmo ano, Gonzaga provocaria uma revolução na música popular brasileira ao lançar um novo gênero no mercado, o baião, uma estilização e adaptação de ritmos ouvidos por ele em sua infância e adolescência. A composição de lançamento, um verdadeiro manifesto do novo gênero, foi Baião, feita em parceria com Humberto Teixeira e lançada pelo grupo vocal "Quatro Azes e Um Coringa" pela Odeon, com acompanhamento do próprio Gonzaga na sanfona. O novo gênero mudou o panorama musical brasileiro e impôs-se como o mais importante até o surgimento da Bossa Nova em fins dos anos 50. Ainda em 1946, Gonzaga lançou de sua parceria com Humberto Teixeira o xote Meu pé de serra, além da polca Pagode russo, de sua autoria. Em outubro do mesmo ano tirou férias na Rádio Nacional e voltou a sua terra natal depois de 16 anos de ausência. Antes de retornar ao Rio passou pelo Recife, onde, se encontrou com diversos artistas locais e travou conhecimento com o acadêmico de Medicina José de Souza Dantas Filho, que mais tarde se tornaria famoso parceiro de Gonzaga conhecido como Zédantas.

1947
Gravou de sua autoria e Humberto Teixeira a toada Asa branca, um de seus maiores sucessos e uma das músicas mais conhecidas e veneradas da música popular brasileira, regravada dezenas de vezes ao longo das décadas, entre outros por Altamiro Carrilho, Severino Januário, Sivuca e Rosinha de Valença, César do Acordeon, Trio Melodia, Dominguinhos, Julião da viola, Fagner, Téo Azevedo, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Quinteto Viola. Com o sucesso retumbante de Asa Branca foi convidado a participar do filme "Esse mundo é um pandeiro" de Watson Macedo. Neste mesmo ano conheceu Helena das Neves Cavalcanti com quem se casou no ano seguinte. O casal não teve filhos e Gonzaga homenageou a mulher com o baião Madame baião, composto em parceria com David Nasser.

1948
Lançou apenas um disco, cantando A moda da mula preta de Raul Torres e a polca Firim firim firim, parceria com Antonio Nogueira.

1949
Gonzaga era o principal astro da música popular brasileira e lançou uma série de sucessos de sua parceria com Humberto Teixeira, a polca Lorota boa, que entrou na comédia musical "O mundo se diverte" da Atlântida, o xote Mangaratiba, que foi incluída na comédia musical "Estou aí", da Cinédia, o baião Juazeiro e a toada Légua tirana, além de Baião, que finalmente recebeu gravação de seu autor. No mesmo ano lançou as primeiras parcerias com Zédantas e que tornaram sucesso rapidamente, como o baião Vem morena e o forró Forró de Mané Vito. Por essa época o baião tornou-se a coqueluche nacional, o novo ritmo do Brasil, e Gonzaga passou a mudar seu visual, introduzinho o chapéu de couro que doravante faria parte de sua indumentária até a morte.

1950
Lançou de sua parceria com Zédantas o baião A dança da moda, que afirma que "No Rio está tudo mudado", numa referência às mudanças de comportamento introduzidas pelo baião. Inúmeros artistas, entre os quais Carmem Miranda, Carmélia Alves, Ivon Curi, Marlene, Isaura Garcia, Jamelão, Emilinha Borba e outros, passaram a gravar músicas da dupla Gonzaga/Humberto Teixeira. No mesmo ano, estouram inúmeros outros sucessos da dupla, como os baiões Xanduzinha, Qui nem jiló e Respeita Januário, além da toada Assum preto. Ainda em 1950 foram sucessos na voz de Gonzaga o xote Cintura fina e a toada A volta da Asa branca, parcerias com Zédantas, além da toada Boiadeiro de Kléssius Caldas e Armando Cavalcanti. Nessa mesma época Humberto Teixeira foi eleito deputado federal e a parceria se desfez. Getulista convicto fez campanha para a presidência da República em apoio ao futuro presidente Getúlio Vargas.

1951
Lançou com sucesso a marcha junina Olha pro céu, parceria com José Fernandes, e o baião Sabiá, parceria com Zédantas. Nessa época apresentava-se nas Rádios Nacional e Mayrink Veiga. Ainda em 1951 a cantora Carmélia Alves, que ficaria conhecida como a Rainda do Baião, lançou juntamente com o sanfoneiro Sivuca um disco intitulado "No mundo do baião", com um vasto pot-pourri de músicas de Luiz Gonzaga. No final desse mesmo ano foi contratado pelos Laboratórios Moura Brasil para uma grande excursão por diversas cidades do Brasil, apresentando-se entre outras em São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre, terminando a tournê em Belém. Nesse mesmo ano sofreu o primeiro acidente automobilístico, em São Paulo, quebrando seis costelas e a clavícula, além de vários ferimentos na cabeça. No mesmo acidente feriram-se seus acompanhantes Zequinha e Catamilho.

1952
Lançou vinte músicas, quantidade que na época do LP ou do CD daria para lançar um álbum duplo. Entre as quais, as últimas parcerias com Humberto Teixeira, o baião Respeita Januário, a valsa toada Légua tirana e o baião Paraíba. De sua parceria com Zédantas gravou a marcha junina São João na roça, a toada Acauã e com Hervê Cordovil o baião Baião da garoa e o xaxado Xaxado, verdadeiro manifesto da nova dança lançada por Gonzaga dois anos antes. Todas se tornaram logo sucesso. No mesmo ano, apresentou-se durante os festejos juninos em uma temporada na Rádio Tupi-Tamoio acompanhado do pai Januário e dos irmãos Severino, Zé Januário, Chiquinha, Socorro e Aluísio sob o nome de "Os sete Gonzaga".

1953
Lançou o xote Xote das meninas e a toada Vozes da seca, parceria com Zédantas e A vida do viajante, parceria com Hervê Cordovil e que viria a ser, muito posteriormente, um dos prefixos da carreira do Rei do Baião, nos versos que dizem "Minha vida é andar por esse país". Por essa trocou definitivamente o terno de casimira por um gibão de couro, o sapato de verniz por uma sandália e a gravata por uma cartucheira, adotando ainda um chapéu de couro maior afirmando sua nordestinidade, ele que era o maior astro da música brasileira da época.

1954
Lançou entre outras, os baiões Vou pra casa e Noites brasileiras, parcerias com Zédantas, o xamego Cana só de Pernambuco com Victor Simão e a polca Lascando o cano com Zédantas.

1955
Lançou dez composições inéditas, entre as quais o xote Riacho do navio, parceria com Zédantas, e o rojão Forró de Zé Tatu de Jorge de Castro e Zé Ramos. No mesmo ano foi lançado o primeiro LP com suas músicas "A História do Nordeste na voz de Luiz Gonzaga". Na excursão ao Nordeste naquele ano tomou conhecimento da existência de um grupo musical conhecido como a "Patrulha de Choque de Luiz Gonzaga", composto pela cantora Marinês, seu marido, o sanfoneiro Abdias e Chiquinho da zabumba, especialidada em anunciar a chegada de Luiz Gonzaga onde ele fosse se apresentar. O encontro entre eles se deu na cidade de Propriá em Sergipe.

1956
Com a ida de Marinês e Abdias para o Rio de Janeiro, Gonzaga mudou o conjunto que o acompanhava, transformando-o em Luiz Gonzaga e Seus Cabras da Peste do qual faziam parte Marinês, Abdias, Zito Borborema e Miudinho. O grupo chegou a participar de excursão a São Paulo e Minas Gerais, mas desfez-se no final do ano. No mesmo ano gravou o baião Mané Zabé, com Zédantas, o coco Derramaro o gai, com Zédantas, e o baião Saudade da boa terra de Ary Monteiro e Maruim, entre outras. Ainda em 1956 lançou seu segundo LP "Aboios e vaquejadas".

1957
Gravou outro enorme sucesso, o baião A feira de Caruaru de Onildo Almeida, além do LP "No reino do baião".

1958
Lançou de sua autoria o forró Forró no escuro, outra de suas composições que ficou para a posteridade. No mesmo ano lançou os LPs "São João na roça", com músicas juninas, e "Xamego", com composições de sua parceria com Miguel Lima. Por essa época, ocorriam mudanças musicais no país, entre as quais a eclosão da Bossa Nova, dando início assim ao declínio da carreira de Gonzaga. Com novos gostos estético-musicais impondo-se no rádio, suas composições foram perdendo espaço e Gonzaga passou a voltar-se para as platéias do interior para as quais sempre foi o Rei do Baião.

1959
Lançou de João do Vale e Ari Monteiro o maracatu O sertanejo do norte e de sua autoria e Carmelina a marcha Fogueira de São João. No mesmo ano foi lançado o LP "Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zédantas".

1960
Gravou entre outras o xote Vida de vaqueiro de sua autoria e a toada Testamento de caboclo de R. Bittencour e R. Sampaio.

1961
Gonzaga não lançou como fazia desde 1941 nenhum 78 rotações, mas em compensação a RCA Victor lançou o primeiro LP totalmente com músicas inéditas, a maioria de outros autores, como o baião Capitão jagunço de Paulo Dantas e Barbosa Lessa, o baião Na cabana do rei de Catulo de Paula e Jaime Florence e o xote Só se rindo de Alvarenga e Ranchinho. No mesmo ano Gonzaga sofreu um grave acidente automobilístico que quase pôs fim à sua vida. Seguia ele de Miguel Pereira para o Rio de Janeiro, quando numa curva a porta do carro cedeu e ele foi arremessado para for a, recebendo ainda a pancada da porta na cabeça e sofrendo traumatismo craniano e ferimento num olho. Ainda em 1961 morreu seu grande parceiro Zédantas. Pouco depois ele travou conhecimento com João Silva, que se tornaria o terceiro parceiro em importância na sua carreira.

1962
Voltou a gravar discos em 78 rotações, incluindo entre outras, o xote Véio macho de Rosil Cavalcanti e que daria nome a seu LP daquele ano. Os baiões Pássaro Caraó e Sanfoneiro Zé Tatu de parceria com Zé Marcolino e incluídos também no LP. Por essa época foi contratado para uma longa temporada na Rádio Mayrink Veiga que duraria até o ano seguinte.

1963
Além dos discos em 78 rotações lançou o LP "Pisa no pilão", que registrou alguns clássicos como A morte do vaqueiro, toada em parceria com Nelson Barbalho, e Pra onde tu vai, baião?, baião de João do Vale e Sebastião Rodrigues, quase um retrato da situação passada pelo Rei do Baião ao dizer em sua letra: "Pronde tu vai, baião? Eu vou sair por aí/Mas por que baião?/Ninguém me quer mais aqui.". Por essa época, Gonzaga passa a apresentar-se em pequenas cidades do interior, cantando em circos e praças públicas. Se nas grandes cidades seu nome ficou em esquecimento, no interior manteve a força e o carisma. Certa vez na cidade de Nanuque em Minas Gerais, ficou acertado que seu show seria apresentado no cinema às 21 horas, depois de um filme de Elvis Presley. Feita a divulgação da apresentação, foi tamanha a ocorrência de público que foi necessário realizar o show em duas sessões.

1964
Lançou outro LP que se tornaria clássico, com a toada A triste partida de Patativa do Assaré, que deu nome ao disco, verdadeiro manifesto sertanejo. Do mesmo disco constam ainda a toada Cacimba nova e o xote Numa sala de reboco, ambos de parceria com José Marcolino, e a valsa Lembrança da primavera, composta por Gonzaguinha quando tinha apenas 14 anos. Sua carreira prossegue no interior e cada ano lança um novo LP, com sucessos como Meu Araripe, parceria com João Silva, ou Canaã de Humberto Teixeira. No mesmo ano adquiriu um terreno em Exu, Pernambuco, preparando seu retorno para a terra natal. Por essa época, a caminho da Rádio Mayrink Veiga no Rio de Janeiro, teve roubada sua sanfona preta da marca Universal. Conseguiu emprestada de Antenógenes Silva uma sanfona branca. A partir de então passou a somente usar sanfona branca. Encomendou uma à fabrica Todeschini e mandou cunhar a inscrição "É do povo", numa irônica homenagem ao ladrão, e que acompanharia doravante todos os seus instrumentos. Até 1966 não gravou mais nenhum disco novo. Nesse mesmo ano, as edições Fortaleza lançaram o livro "O sanfoneiro do riacho da Brígida", autobiografia que ele ditou a Sinval Sá. O sucesso do livro foi imediato, tendo sido feitas mais quatro edições no mesmo ano. O livro não saiu em livrarias, tendo sido vendido pelo próprio Gonzaga com auxílio de seus músicos durante seus shows. Para reforçar as finanças cada vez mais difíceis, atuou como músico de estúdio e fez campanhas políticas, o que aliás já fizera em outras épocas da carreira.

1967
Gravou o LP "Óia eu aqui de novo", que pode ser encarado como um novo marco em sua carreira, trazendo composições de sua autoria, Onildo Almeida, José Clementino, Luiz Guimarães e João Silva, todo um novo time de compositores que irá atuar com ele praticamente nas próximas duas décadas, quando do retorno paulatino de sua carreira ao reconhecimento também nas grandes cidades e na grande mídia. Do disco constavam, entre outras, Xote dos cabeludos, parceria com José Clementino, Garota Todeschine, parceria com João Silva, Hora do adeus de Onildo Almeida e Luiz Queiroga, Do lado que relampea de Luiz Guimarães e Óia eu aqui de novo de Antônio Barros. No mesmo ano fez histórico depoimento para o MIS entrevistado pelo diretor da instituição. Na ocasião apresentou publicamente seu filho Gonzaguinha, então totalmente desconhecido.

1968
Lançou três LPs, "O sanfoneiro do povo de Deus", com composições de cunho místico religioso, como Ave Maria sertaneja de Júlio Ricardo e de Oliveira e Padroeira do Brasil de sua autoria e Raimundo Granjeiro. Lançou ainda Canaã com música-título de Humberto Teixeira e São João do Araripe com música-título de sua parceria com João Silva e que trazia quatro composições do seu filho Luiz Gonzaga Jr: Diz que vai virar, Pobreza por pobreza, Erva rasteira e Festa. No mesmo ano gravou um compacto com a composição Pra não dizer que não falei das flores de Geraldo Vandré. No mesmo ano, Gilberto Gil, um dos líderes do movimento intitulado Tropicália, em entrevista concedida a Augusto de Campos, dizia ter sido Luiz Gonzaga "a primeira grande coisa significativa do ponto de vista da cultura de massa no Brasil". Outro líder do movimento, Caetano Veloso, também deixava clara sua admiração pelo cantor, compositor e sanfoneiro nordestino. Por essa época o radialista e jornalista Carlos Imperial começou a divulgar o boato de que o conjunto de rock inglês The Beatles gravaria Asa branca em seu novo disco, o que levou uma correria em torno de Luiz Gonzaga, que em entrevista concedida ao "O Pasquim", em 1971, revelaria que ganhou cachê e gravou programa para falar sobre o assunto. Apresentou-se no mesmo período na TV Continental no programa "Noite Impecável".

1969
Não gravou nenhum disco, mas teve a composição Dezessete légua e meia de parceria com Humberto Teixeira regravada por Gilberto Gil no LP "Cérebro eletrônico".

1970
Gravou o LP "Sertão 70", que traz, entre outras, Já vou mãe, primeira parceria de Dominguinhos e Anastácia, que na ocasião trabalhavam com ele. Por essa colaborou com o Padre João Câncio na preparação da "Missa do vaqueiro", inspirada a partir da toada A morte do Vaqueiro. A missa, um pungente protesto contra a miséria e a opressão do homem nordestino, foi financiada por Gonzaga até 1974. Juntamente com os irmãos Bandeira, repentistas cearenses, animou a missa durante vários anos.

1971
Caetano Veloso, exilado em Londres, gravou em seu novo disco, que era totalmente em inglês, a toada Asa branca, única música em português, e que se tornava uma espécie de hino dos exilados pelo regime militar. Por idéia do produtor da RCA Rildo Hora, gravou o LP "O canto jovem de Luiz Gonzaga", interpretando diversas composições de jovens compositores brasileiros da época, como Chuculatera de Antônio Carlos e Jocafi, Procissão de Gilberto Gil, Cirandeiro de Capinam e Edu Lobo, Fica mal com Deusde Geraldo Vandré, O dia em que eu vim me embora de Caetano Veloso e Gilberto Gil, e outras. No mesmo ano, em show no Palais de La Mutualité em Paris, Gal Costa e Gilberto Gil incendiaram o público ao cantar uma versão de 45 minutos da toada Acauã, composta por Gonzaga e Zédantas nos idos de 1952. Ainda em 1971 concedeu longa entrevista ao jornal "O Pasquim" e recebeu da TV Tupi o título de "Imortal da Música Brasileira". Na mesma época foi convidado por Carlos Imperial a assistir a um festival de rock na cidade de Guarapari, no Espírito Santo, e como os artistas convidados não compareceram ele acabou fazendo o show para a platéia composta de hippies e jovens politizados que dançaram ao som de sua sanfona.

1972
Apresentou-se no show "Luiz Gonzaga volta para curtir", com produção de Capinam, no Teatro Tereza Rachel no Rio de Janeiro. Na mesma época concedeu entrevista à vanguardista revista "O Bondinho". Sua produção musical entretanto andava na contramão da popularidade que voltava a subir, pois tornavam-se distantes do que havia de autêntico em sua obra. Naquele ano ainda lançaria dois LPs pela RCA, "Aquilo bom" e "São João quente", dos quais somente se sobressaiu um grande sucesso, Ovo de codorna de Severino Ramos.

1973
Transferiu-se para a gravadora Odeon onde lançou cinco LPs em dois anos, com muitas regravações e sem nenhuma música que tenha marcado a sua carreira. Recebeu no mesmo ano o título de "Cidadão Paulista". No mesmo período a RCA lançou duas coletâneas de seus sucessos. Nessa época a decolagem de sua carreira parou em função do equivocado apoio que deu ao governo militar. Sua fama, entretanto, permaneceu encantando e ele abriu durante dois anos o forró Asa Branca na Ilha do Governador no Rio de Janeiro.

1975
Participou da série "MPB 100, um século de m.p.b", transmitido em cadeia nacional pelo Projeto Minerva. Os programas foram convertidos em 8 LPs de igual título, produzidos pelo mesmo apresentador, que incluiu a participação de Gonzaga em todo um lado do elepê número 4 da série. No mesmo ano lançou outro LP com coletânea de sucessos, "Asa Branca" pela RCA gravadora para a qual retornou.

1976
Janduhy Filizola, com quem compusera algumas músicas, musicou totalmente a "Missa do Vaqueiro", gravada no mesmo ano pelo Quinteto Violado. Durante excursão naquele ano recebeu o título de "Cidadão cearense", num show em Fortaleza. Ainda naquele ano numa viagem de avião de Pernambuco a Brasília conheceu Edelzuita, o grande amor da última fase de sua vida. Ainda em 1976 lançou o LP "Capim novo", com música-título de sua autoria e Severino Ramos e que obteve boa repercussão, mostrando de volta o velho estilo que o consagrara. A música-título virou tema da novela Saramandaia, da TV Globo e o levou de volta às paradas de sucesso. Em agosto daquele ano a mesma TV Globo exibiu o "Especial Luiz Gonzaga", na série "Brasil especial", dirigida por Augusto César Vannucci, com a participação de toda a família, incluindo o velho Januário, que aos 85 anos viajou para o Rio de Janeiro.

1977
Lançou o elepê "Luiz Gonzaga e Carmélia Alves", mesmo nome de um show realizado pela dupla no Teatro João Caetano. no Rio de Janeiro, dentro do projeto Seis e Meia. Lançou também no mesmo ano o LP "Chá cutuba", música-título de Humberto Teixeira, que também assinou Menestrel do Sol. O disco trouxe ainda a regravação de Baião de dois, parceria de Gonzaga e Teixeira e um de seus grandes sucessos. Realizou na mesma ocasião uma excursão com Carmélia Alves e Dominguinhos, além de ter reproduzido em mais de 80 emissoras de rádio a série "O eterno Gonzaga", produzida pelo estúdio Free de São Paulo. No mesmo ano entrou para a versão brasileira da "Enciclopédia Britânica", com foto em cores para ilustrar o parágrafo a seu respeito.

1978
Lançou o LP "Dengo maior" trazendo, entre outras, Alegria de pé de serra de Dominguinhos e Anastácia, Salmo dos aflitos, com Humberto Teixeira, Umbuzeiro da saudade com João Silva, Serrote agudo com José Marcolino e Viola de Penedo de Luis Bandeira.

1979
Lançou o LP "Eu e meu pai", numa homenagem a Januário, que falecera um ano antes. O disco trouxe algumas regravações como Súplica cearense, de Gordurinha e Nelinho, A vida do viajante, em parceria com Hervê Cordovil, e a clássica Respeita Januário, com Humberto Teixeira. No mesmo ano gravou o instrumental "Quadrilhas e marchinhas" com um pot-pourri de 24 composições de seu repertório. Nesse período retornou para Exu e iniciou uma campanha em prol da preservação da ave conhecida como Asa Branca. Foi criado o Parque Asa Branca. Nesse período atuou ativamente para acabar com as brigas de família na região de Exu.

1980
Foi o indicado do Nordeste para cantar para o Papa João Paulo II em sua visita ao Brasil. No início da década participou da temporada "Sabor Brasil", ao lado de Clara Nunes, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, João Nogueira e João Bosco.

1981
Lançou o LP "A festa", contando com a participação de Luiz Gonzaga Jr, Emilinha Borba, Dominguinhos e Milton Nascimento, com quem cantou Luar do sertão, de Catulo da Paixão Cearense. No mesmo ano chegou às lojas o álbum duplo "Vida do viajante", gravado ao vivo durante a excursão pelo Brasil feita com o filho Gonzaguinha no ano anterior. Durante essa excursão, Gonzaga ganhou o apelido de Gonzagão, que muitos críticos acham inapropriado, a partir de uma faixa colocada em um show em São Paulo que dizia: "Gonzagão e Gonzaguinha, a maior dupla sertaneja do Brasil". Entre 1979 e 1984 engajou-se na luta contra a seca que assolou o Nordeste brasileiro naquele período, gravando até composições que aludiam ao fato, como foi o caso de Sequei os olhos, feita em parceria com João Silva, gravada no disco "70 anos de sanfona e simpatia". Neste disco, lançado em 1983 houve as participações especiais de Alceu Valença, na faixa Plano piloto de Carlos Fernando e Alceu Valença e Téo Azevedo na faixa A peleja de Gonzagão e Teo Azevedo, de autoria deste último. Nessa época recebeu convite da cantora Nazaré Pereira, radicada em Paris, que organizou um show para ele na casa de espetáculos "Bobino".

1984
Lançou o disco "Danado de bom" com algumas regravações e contando com a participação de Elba Ramalho na faixa Sanfoninha choradeira de Gonzaga e João Silva. Nesse ano recebeu o primeiro disco de ouro de sua carreira, pelo disco "Danado de bom". No mesmo ano recebeu o Prêmio Shell da Música Popular Brasileira. Por essa época, a RCA redirecionou a produção dos discos de Gonzaga, retornando a uma concepção mais original de seu trabalho. O resultado foi que seus discos deram um salto de vendagem saindo dos 25.000 anuais para 200.000 a partir de então. Também naquele ano gravou seu primeiro disco com Fagner, com diversas músicas que foram sucesso em sua carreira além de Sangue nordestino, uma parceria com João Silva.

1985
Foi lançado "Sanfoneiro macho", com seis parcerias com João Silva, entre as quais,Forró do bom, A mulher do sanfoneiro e Deixa a tanga voar. Esse disco contou com a participação especial de Dominguinhos, Gonzaguinha, Sivuca, Glorinha Gadelha, Gal Costa e Elba Ramalho e arrebatou dois discos de ouro.

1986
Participou na França do grande festival da música brasileira "Couleurs Brésil", com apresentações de diversos artistas brasileiros durante cinco dias no Zenith, Olympia e na Grande Halle de La Villette. Gonzaga apresentou-se no show final na maior das três salas, a Grande Halle, juntamente com Fafá de Belém, Moraes Moreira, Armandinho Macedo e Alceu Valença. No mesmo ano gravou o disco "Forró de cabo a rabo" cujo lançamento ocorreu quando estava em Paris. Quando voltou, constatou que o disco havia estourado e era um grande sucesso, especialmente as composições feitas com João Silva, entre as quais, a que deu título ao disco, Rodovia asa branca, Viva meu Padim, que contou com a participação de Benito de Paula, Xote machucador de João Silva e Dominguinhos e Eu e meu fole de Zé Marcolino, entre outras. O disco contou ainda com a participação do músico gaúcho Renato Borghetti na faixa Forronerão-Jardim da saudade, de Borghetti e L. Rodrigues. O disco recebeu dois discos de ouro e um disco de platina.

1987
Lançou de "Fia pavi", disco que o reaproximou do parceiro João Silva com quem havia brigado. Aparecem quatro composições dos dois, entre as quais Pobre do sanfoneiro e Nem se despediu de mim. Havia ainda Mariana de Gonzaguinha e Gonzagão com participação de Gonzaguinha. No mesmo ano começou a gravar um novo disco com Fagner, contando com a participação de Gonzaguinha. Em fins do mesmo ano sua saúde piorou com a descoberta de que tinha câncer de próstata e sofria de osteoporose. Ele mesmo não ficou sabendo. No entanto, continuou animadamente a desenvolver planos para instalar seu museu pessoal em Exu.

1988
Chegou nas lojas o disco "Gonzagão e Fagner", com o selo BMG, trazendo diversos sucessos de Gonzaga, entre os quais ABC do sertão e Vem morena, com Zédantas, Estrada de Canindé e Juazeiro, com Humberto Teixeira, Pobre do sanfoneiro, com João Silva, e Xamego, com Miguel Lima, num verdadeiro apanhado da obra do sanfoneiro. No mesmo ano realizou show com Elba Ramalho. Ainda em 1988 a BMG lançou o LP "Aí tem Gonzagão", contando com a participação de Carmélia Alves na faixa Vamos juntar os troços de Antônio Barros Silva e de Geraldo Azevedo em Taqui pra tu de Gonzaga e João Silva. Foi lançada também a colecão "50 Anos de chão", caixa com cinco LPs compilando o essencial de sua obra. Nessa época separou-se finalmente da mulher Helena e foi morar com Edeuzuita em Recife.

1989
Lançou pela Copacabana seu último disco, "Vou te matar de cheiro", que não teve grande repercussão e que trazia diversas composições da parceria com João Silva, como a faixa-título Já era tempo e Meu arcoverde, que conta com a participação do próprio Silva na gravação, entre outras. Em 6 de junho daquele ano participou de seu último show, uma homenagem que artistas de todo o Brasil lhe prestaram no Teatro Guararapes em Recife. Estava com a agenda de São João repleta quando em 21 de junho foi internado no Hospital Santa Joana no Recife, vindo a falecer no dia 2 de agosto daquele ano. Quando do transporte de seu corpo até o aeroporto, de onde seguiria para o sepultamento no Ceará, ao passar pelas ruas do Recife, a multidão que se aglomerava nas ruas gritava "Hei, hei, Luiz é nosso Rei". Ao chegar a Juazeiro do Norte no Ceará para ser abençoado no Memorial de Padim Ciço, o corpo de Luiz Gonzaga recebeu homenagens dignas de um rei. Milhares de pessoas se aglomeraram nas ruas e o cortejo fúnebre teve de percorrer diversas ruas e avenidas para que o povo se despedisse de Gonzaga. Depois seguiu para Exu onde ocorreu o sepultamento. Em sua cidade natal foi novamente reverenciado pelo povo nas ruas, acompanhando o féretro cantando suas músicas ao som dos sanfoneiros Dominguinhos, Valdones, José Torres de Menezes, Janduhy Finizola, José Marques Filho e Zé Manu, entre outros. Na hora do sepultamento, a multidão composta de cerca de 20 mil pessoas cantou em coro a "Asa branca".

COLLECTOR'S STUDIOS LTDA.
Nasceu em 13.12.1912 Exu PE
Falesceu em 02.08.1989 Recife PE


                                                                                                                    
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