Orlando Silva

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BIOGRAFIA | ACERVO PERSONALIDADES
Orlando Silva

Orlando Silva era o mais jovem dos Quatro Grandes: Francisco Alves, Silvio Caldas, Carlos Galhardo e ele... A crítica, os pesquisadores e estudiosos da música popular brasileira são unânimes em apontá-lo como o maior fenômeno musical brasileiro de todos os tempos.

De fato, quem ouvir as gravações de Orlando Silva no período de março de 1937 - Lábios que beijei - até julho de 1945 - Brigamos outra vez - comprovará que ninguém teve voz mais bonita e interpretação mais convincente.

Aliando técnica e sensibilidade à voz privilegiada Orlando Silva foi um dos grandes cantores da chamada "era de ouro" da música brasileira.

Mero iniciante, competindo com veteranos do porte de Francisco Alves e Silvio Caldas, ele conseguiria, em apenas 3 anos, ascender do anonimato à condição de "primeiro ídolo de massa" produzido por nossa música popular. Para isso contribuiria de modo decisivo o rádio que, transmitindo suas atuações ao vivo ou nos discos, faria o Brasil inteiro conhecê-lo e aplaudi-lo.

A partir da estréia em 24.06.34, participando de um programa de Francisco Alves na Rádio Cajuti, Orlando viveria grande parte de sua fase áurea cantando ao microfone da Rádio Nacional.

Nasceu Orlando Garcia da Silva no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, no dia 03 de outubro de 1915. Filho de José Celestino da Silva (operário, violonista e chorão) e D. Balbina Garcia da Silva passou a infância entre Todos os Santos, Meier, Largo dos Pilares e Engenho de Dentro.

Cursou o primário e apenas iniciou o ginásio. Teve vários empregos, desde cedo.

Aos 12 anos trabalhava numa cerâmica. Foi entregador de roupas de uma loja, estafeta da Western e balconista de uma loja de artigos masculinos.

Aos 17 anos perdeu parte de seu pé esquerdo num acidente de bonde e quando voltou a trabalhar o fez na linha de ônibus nº 84 que fazia o percurso Largo de Santa Rita - Lins de Vasconcelos, como cobrador.

De vez em quando ele cantava para os companheiros e para os vizinhos. Um deles, Luiz Pimentel, vizinho do Largo dos Pilares, se dizia amigo do cantor Luiz Barbosa e conseguiu para Orlando uma apresentação ao diretor da Rádio Cajuti, Sr. Paulo Beviláqua.

Numa de suas idas à rádio, Orlando cantava nos corredores acompanhado por Henrique Brito, ex-integrante do Bando de Tangarás, quando por ali passou Bororó. Gostou de Orlando e prometeu levá-lo a Francisco Alves. Orlando foi apresentado a Francisco Alves no Café Nice e em seu automóvel, que ficava estacionado na Rua Chile, ali em frente, Chico pediu para Orlando cantar. Orlando no banco de trás e Chico na frente. Segundo Orlando mesmo contava, começou a cantar Malandro sofredor, samba de Ary Barroso gravado por Silvio Caldas na Victor em 19.07.33 e lançado em maio de 34, ou seja, dois meses antes.

Segundo a história Orlando nem precisou acabar de cantar. Chico Alves também havia se entusiasmado com o novo cantor.

No dia seguinte, houve o teste de microfone na Rádio Guanabara. Francisco Alves incluiu Orlando no seu programa de estréia na Rádio Cajuti, a mesma em que Orlando aguardara uma oportunidade, mas não tivera chance.

É o próprio Orlando quem descreve as emoções do dia da estréia: "Os acanhados estúdios da Rádio Cajuti estavam superlotados. Aracy de Almeida cantava, como só ela sabe cantar, um dos sambas do saudoso Noel, o qual também cantava e se acompanhava ao violão. O programa parecia uma festa. Eu estava num canto do estúdio, observando, sonhando, fazendo planos, esperando a minha vez."

Ao ser apresentado como Orlando Navarro, protestou: Meu nome é Orlando Silva A impressão que causou a todos foi a melhor possível, tanto que na Cajuti ficou durante sete meses. Dali para o disco não foi muito difícil.

Já para o carnaval do ano seguinte ele conseguiu na Columbia uma oportunidade. Gravou Ondas curtas e Olha a baiana que passaram sem grande sucesso.

Logo no começo de 1935, na Victor outra oportunidade: o disco comercial Chopp da Brahma, uma marcha de Ary Barroso com versos de Bastos Tigre.

Passado o Carnaval veio a primeira oportunidade que Orlando considerou válida: o primeiro disco na Victor. Orlando gravou A última estrofe e Lágrimas e logo depois No quilômetro 2 e Para Deus somos iguais. Por razões de ordem técnica, o primeiro a sair foi o de nº 33.965 com No quilômetro 2 de um lado e Para Deus somos iguais no outro. Logo depois veio o de nº 33.975 com a efetiva primeira gravação na Victor: A ultima estrofe e Lágrimas.

O real sucesso não veio logo.

Em março de 35 assinou contrato com a Rádio Transmissora. Em julho de 36 estreou no cinema, no filme Cidade Mulher. Em setembro de 1936 transferiu-se para a Rádio Nacional.

Em 15.03.37 grava Lábios que beijei e Juramento falso e esse disco marcou o inicio de sua fulgurante carreira. Dai para frente era só gravar e fazer sucesso.

Em 1938 vai a São Paulo pela primeira vez e recebe extraordinária consagração popular. Foi em conseqüência desta consagração, quase indescritível com palavras, que Oduvaldo Cozzi, na Rádio Nacional chamou-o de "o cantor das multidões".

Assim Orlando descreveu um dia o que foi esta consagração popular: "dentro do estúdio era uma coisa de doido. Eu ia ensaiar as 18 horas e não mais saía do estúdio. A rua Sete de Abril era uma coisa, gente por todo lado. Tanto que eu já ia prá rádio policiado. Um sargento e um cabo. E saia de lá policiado até o hotel. Os fãs rasgavam minha roupa, arrancavam os botões. Desmaios mil. E aquilo tudo espontâneo, sem preparação nenhuma. Prá valer. Até as pontas de cigarros jogadas fora eram disputadas pelas fãs."


                                                                                                                    
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