É de Victor Bacelar o privilégio de ter sido o primeiro cantor baiano a vir para o Rio de Janeiro e daqui
projetar a Bahia no cenário radiofônico nacional; isto no ano de 1932.
Contratado pela Rádio Mayrink Veiga para atuar ao lado de Francisco Alves, Orlando Silva,
Carmen Miranda, Silvio Caldas e outros nomes famosos, Victor logo ascendeu a fama.
A Mayrink era na época, a emissora de maior audiência do país e Cezar Ladeira, seu principal
apresentador, anunciava Victor Bacelar como "A voz de ouro que a bahia nos mandou de presente!".
A seguir vieram os contratos nas Rádios Nacional, Tupi, Transmissora e Globo e apresentações nos
shows de gala dos extintos cassinos da Urca e de Icaraí onde dividiu o palco com grandes astros
internacionais como : Pedro Vargas, Tito Guizar e Afonso Ortiz Tirado.
Suas primeiras gravações em disco foram na RCA Victor e as demais na Odeon, Columbia (Atual Sony),
Continental, Copacabana, Mocambo, Sinter (Atual Philips) e Caravelle. Das inúmeras gravações em
LPs, compacto e 78 rotações, várias tornaram-se sucesso: Miss Brasil, de Wilson Batista e
Jorge de Castro (Marcha em homenagem a Marta Rocha, a baiana eleita miss Brasil em 1954),
Não sei se é castigo, de Heitor dos Prazeres, O grito de uma raça, que fez parte da
trilha sonora do filme Rio Zona Norte, um clássico do cinema nacional, Valsa da formatura,
de Lamartine Babo e Jose Maria de Abreu. Sua última gravação foi Namorado da Lua de autoria
de Geraldo Nunes, Miguel Lima e Alvimar Leal em disco Caravelle em 1963.
Recentemente, a série fonográfica Revivendo lançou nas lojas especializadas de todo país, um LP reunindo
algumas das antigas gravações de Victor Bacelar, Silvio Caldas e outros grandes nomes do passado,
e inseriu em CD uma faixa com outro de seus sucessos.
Embora sempre gravando composições de autores famosos: Ataulfo Alves, Lamartine Babo, Heitor dos Prazeres,
Jose Maria de Abreu, Jair Amorim, Peter Pan, Kid Pepe e outros, Victor também lançou novos
compositores que mais tarde viriam a se consagrar, dentre eles Nelson Cavaquinho e Adelino Moreira,
cujo primeiro sucesso foi o samba-canção Meu Castigo de parceria com Ari Vieira gravado por
Victor Bacelar na década de 50.
Hoje aos 92 anos, Victor Bacelar se sente realizado por ter seu nome na galeria dos intérpretes que
marcaram época na historia da MPB, e também por ter sido procurado por Dorival Caymi, Renato Braga e
Zé Trindade, seus conterrâneos, quando vieram da Bahia para Rio, os quais, por seu intermédio foram
apresentados ao meio artístico. Da mesma forma, como anos depois, Victor fez a apresentação do
compositor Adelino Moreira a Nelson Gonçalves, nascendo daí uma parceria de sucessos imortais.
Victor Bacelar trabalhou também nas extintas Tvs Tupi e Rio.
Ilson Bacelar
ilsonbacelar@bol.com.br
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Nasceu em 28.07.1911, Salvador, BA
Faleceu em 10.06.2005, Rio de Janeiro, RJ
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