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ORLANDO SILVA - OS ÍDOLOS DO RÁDIO 01 - VINIL

Despacho
Ary Barroso
Alma dos violinos
(Alcir Pires Vermelho a L. Babo) inédita
   Mentirosa
(Custódio Mesquita a Mário Lago)
   Felicidade
(Garoto a Haroldo Barbosa) inédita
Serenata
(Sivan) inédita
Recordações
(Newton Teixeira e Haroldo Barbosa)
em dueto com Marília Batista inédita
Canção do pavilhão
(Franz Lehar - versos de Mário Lago)
Com Paulo Tapajós e Três Marias inédita
Quero dizer-te adeus
(Ary Barroso)
Brasil novo
(Alcir Pires Vermelho e Saint-Clair Sena) inédita
Faixa de cetim
(Ary Barroso)
E o vento levou
(Ariovaido Pires a Jerônimo Cabral)
Longe dos olhos
(Djalma Ferreira e Cristóvão de Alencar)
em dueto com Francisco Alves inédita


LP VINIL = R$ 19,00 + envio
CAIXAS COM 25 LP´S PARA REVENDA - DIRETO CONOSCO - R$ 250,00
Copyright © 1985 - Collector's Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

REPERTÓRIO COMENTADO POR JAIRO SEVERIANO - ENCARTE

DESPACHO
Em 1941 o Laboratório Urudonal-Fandorine lançou "O Concurso do Samba Inacabado", uma composição em cujos versos faltavam seis palavras. Além de escreverem sugerindo a complementação da letra, os concorrentes habilitavam-se a "200 valiosos prêmios" (o maior era de quatro contos de réis), na medida em que acertavam o número de soluções enviadas. Artista exclusive do laboratório, na ocasião, Orlando participaria da promoção cantando a peça incompleta em seus programas no Rio de Janeiro e gravando-a para divulgação em outras cidades. Precedia sua interpretação a voz de Ary Barroso, anunciando as bases do certame e exaltando a eficácia de Fandorine, "a melhor amiga da mulher". O "samba inacabado", que tem o titulo de Despacho, é aqui mostrado com seus versos completos, em gravação realizada apôs o concurso.

ALMA DOS VIOLINOS
Considerada uma das mais belas valsas do cancioneiro nacional, Alma dos violinos foi objeto, à época do seu lançamento, de um concurso radiofônico (mais um... ) para que os ouvintes apontassem seu intérprete ideal. "O concurso seria vencido por Orlando, por larga margem de votos", recorda Paulo Tapajós, segundo colocado, "mas, não sei por que motivo, ele jamais gravaria Alma dos violinos". A partir de agora, porém, os admiradores da valsa e do cantor voltarão a ter a oportunidade de ouvi-la em sua voz, graças a esta gravação, realizada possivelmente por ocasião do evento (1942). Nela, Orlando aproveita a extensa tessitura da melodia para exibir todo o potencial de seus dotes vocais que lhe permitia alcançar, sem maior esforço, registres extremos da escala.

MENTIROSA
Das doze composições aqui mostradas, apenas quatro integram o repertório do Cantor das Multidões em discos comerciais. Uma é o samba-choro Mentirosa, sendo as demais E o vento levou, Quero dizer- te adeus e Faixa de cetim. Exceção na obra de Custódio Mesquita, um compositor essencialmente romântico, a brejeira Mentirosa enseja ao também romântico Orlando Silva a oportunidade de demonstrar sua versatilidade como intérprete de outros gêneros musicais. Ao contrario da gravação na Victor (em 1941), em que canta com regional, Orlando se apresenta neste fonograma acompanhado por orquestra.

FELICIDADE
Não se pode chamar Garoto de "o homem dos sete instrumentos" porque ele dominava não sete, mas todos os instrumento de corda que lhe chegavam às mãos. Além disso, era um inspirado melodista, cuja obra, avançada para sua época, o qualificaria entre os principais precursores da moderna MPB. Uma de suas composições menos conhecidas é o fox-canção Felicidade que ele e Orlando, por muito tempo colegas de emissora, registraram no acetato ora reprocessado. Comercialmente, Felicidade só possuía uma gravação em disco (instrumental), executado pelo Trio Surdina, conjunto que tinha o próprio Garoto como um dos seus integrantes.

SERENATA
A Serenata de Schubert inspirou esta valsa, de titulo homônimo, do compositor Ulysses Lelot Filho que, sob o pseudônimo de Sivan Castelo Neto, escreveu um vasto repertório de canções românticas. Ulysses, aliás, muitas vezes usou o pseudônimo como se fossem duas pessoas, figurando em partituras e selos de gravações como o "melodista" Sivan e o "letrista" Castelo Neto. Cantada por Orlando Silva em seus programas, Serenata sai agora do ineditismo em disco, depois de mais de 40 anos de esquecimento.

RECORDAÇÕES
Outra peça resgatada do esquecimento é o samba Recordações, que reúne Orlando e Marilia Batista num dueto inédito em gravações. Lembra Newton Teixeira (autor da melodia) que a peça foi cantada apenas no rádio, não aparecendo ninguém interessado em gravá-la. Interpretada com muita graça pela dupla, Recordações (que tem a letra de Haroldo Barbosa) narra a historia do reencontro de um par de ex-namorados, muito tempo depois da separação.

CANÇÃO DO PAVILHÃO
A canção do pavilhão, da opereta A viúva alegre, é a única música estrangeira incluída nesta seleção. Conta Paulo Tapajós - participante da gravação - que "o número foi preparado especialmente para A invasão do samba, um programa onde eram apresentadas composições célebres, das mais variadas procedências, sempre em arranjos para ritmo de samba". No caso, o arranjo é de Radamés Gnattali, salientando-se na parte rítmica a bateria de Luciano Perrone. Em fins dos anos 40, a Canção do pavilhão serviria de tema a um bolero de muito sucesso, intitulado Sin ti.

QUERO DIZER-TE ADEUS
Após atuar mais de sete anos na Victor, o Cantor das Multidões deixaria a empresa, onde, no dia 19.5.42, realizaria sua última sessão de gravações, registrando Terra boa, Faixa de cetim e Quero dizer-te adeus. Assim, por uma ironia da sorte, ele se despedia da casa com uma valsa denominada Quero dizer-te adeus (e despedia-se para só retornar em 1960 ... ). O fonograma aqui mostrado deve ter, aproximadamente, a mesma idade da gravação comercial.

BRASIL NOVO
Ainda de 1942 é este samba exaltação de Alcir Pires Vermelho - um pródigo autor do gênero - e Saint-Clair Sena. Embora não haja gravado Brasil novo (lançado por Morais Neto, no mesmo disco de Alma dos violinos) Orlando tem em sua discografia várias composições desse tipo, aliás, muito do agrado dos que dirigiam o pais, na época. Contrastando com as letras, ufanistas, artificiais, os sambas-exaltação tinham geralmente boas melodias.

FAIXA DE CETIM
Os encantos da Bahia já serviram de tema a muitas canções de compositores que jamais viveram na Boa Terra. Nenhum deles, porém, seria tão fiel a esse "amor à distância" do que Ary Barroso, autor de Faixa de cetim, Na baixa do sapateiro, No tabuleiro da baiana, Quando eu penso na Bahia, laiá da Bahia, Bahia imortal, etc. Faixa de cetim é um samba típico de um estilo desenvolvido por Ary, que utilizava variações de andamento, crescendos e diminuendos com o intuito de tirar partido de efeitos orquestrais. Lançada por Orlando em programas de rádio, a composição foi editada (juntamente com Quero dizer-te adeus) em seu último disco na Victor, em 1942.

E O VENTO LEVOU
Orlando Silva sempre cantou músicas alegres, carnavalescas, com a competência dos especialistas no gênero. Pode-se afirmar, entretanto, sem que isso signifique uma diminuição de seus méritos como intérprete versátil, que ele alcançou os momentos mais altos de sua carreira cantando música romântica. Assim, são aqui incluídas quatro valsas (as valsas representam cerca de 18% de seu repertório) a última das quais é E o vento levou, cujo caráter choroso, sentimental, ele sabia realçar como ninguém em sua voz seresteira. Um dos autores de E o vento levou é Ariovaldo Pires, o saudoso Capitão Furtado, cultor e pesquisador da chamada música caipira.

LONGE DOS OLHOS
A última faixa do LP documenta o encontro das duas vozes mais aplaudidas da Era de Ouro do rádio e da MPB: Orlando Silva e Francisco Alves. Embora atuando por largo período nas mesmas gravadoras, eles jamais cantariam juntos em discos comerciais, tendo aqui, ao que se sabe, seu único dueto gravado. O registro seria efetuado em 27.2.51, por ocasião da visita do Rei da Voz - amigo e lançador de Orlando na vida artística - a um programa que marcava a volta do Cantor das Multidões ao rádio carioca, após longa ausência.

Jairo Severiano - Setembro 1985



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