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MIMOSA
O nome de Leopoldo Froes está
muito mais ligado ao teatro do que à música, mas, além desta
sua famosa canção, sabe-se que há, pelo menos, três
composições dele anotados pelos estudiosos: Samba fidalgo,
Aime l?amour e Samba choroso. Quanto à
Mimosa, cabe assinalar que ela foi gravada pelo próprio
Froes, cantando em disco Odeon da Casa Edison, 122.028, no
único registro sonoro de sua voz que se conhece. A presente
gravação, inédita, foi durante o programa "O Pessoal da Velha
Guarda", da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, com Pixinguinha,
Benedito Lacerda e seu Regional, em 29 de outubro de
1947.
PREGÕES CARIOCAS Com o nome de Cena
Carioca, Francisco Alves foi o primeiro a gravar esta
música em 23.4.31, na Odeon. A Segunda vez que esta música
apareceu, já com o nome de Pregões Cariocas, foi em
26.3.36, gravada por Jorge Fernandes, também na Odeon, embora
o autor a houvesse registrado em matriz jamais editada.
Portanto, o fonograma que aqui está é o terceiro,
cronologicamente, pois foi feito logo no início da série de
programas "Um Milhão de Melodias", lançados ao ar em 1943. A
faluta do "seu" Pedrinho (Pedro Vieira Gonçalves) faz a
preparação para o canto, apoiado pela Orquestra Brasileira de
Radamés, autor também do arranjo. Um flagrante inédito até
agora.
MACUSHLA Esta é uma canção irlandesa,
publicada em Londres, no ano de 1910 por Boosey & Co., e
que correu mundo na voz dos tenores famosos da época. Foi
apresentada no programa "Um Milhão de Melodias" por volta de
1943/44, tal como aqui está, em arranjo de Radamés Gnattali
com destaque para o violino de Célio Nogueira, liderando o
naipe de cordas e para o piston de Francisco Sergi, tocando
com surdina. O canto termina com um si bemol agudo, nota que
raros cantores populares conseguem alcançar. Gravação
inédita.
MARGARIDA VAI À FONTE Vem do início do
século vinte o sucesso, entre nós, desta canção gravada pelo
célebre Geraldo Magalhães, entre 1904 e 1907, em disco Odeon
da Casa Edison , 40.498. Impossível precisar a data real,
embora seja possível presumir-se sua época. Os programas da
Rádio Tupi, "O Pessoal da Velha Guarda", tiveram vários
méritos, entre os quais o de resgatar melodias esquecidas,
como esta, dando-lhe novo tratamento artístico, onde o canto
surge apoiado pelo coro do Erasmo Silva e onde o sax do
Pixinguinha e a flauta do Benedito dão um toque português ao
arranjo. Gravação ao vivo, inédita, em 26 de novembro de
1947.
THE LAST TIME I SAW PARIS Foi num
tempo em que a Rádio Nacional transmitia os programas
intitulados "Aquarelas das Américas", objetivando a integração
artística e musical do continente. Radamés Gnattali fazia os
arranjos e dirigia a orquestra. No dia 26 de abril de 1946, o
compositor Jerome Kern foi destaque no programa e sua canção -
premiada, aliás, em 1941 nos Estados Unidos - foi apresentada
assim como está aqui. Kern havia falecido no ano anterior
(1945) e Paris era alvo das atenções, pelos efeitos da guerra.
Daí o oportunismo de programar The last time I saw
Paris, gravada ao vivo durante a irradiação.
SÓ TEU AMOR A obra de Eduardo Souto
está reclamando ser redescoberta, pois além de algumas poucas
melodias suas que ainda se tocam e se cantam por si, há uma
porção de belas composições dele precisando sair do
esquecimento. Aqui está um flagrante de uma dessas suas
melodias esquecidas, apresentada em "Aquarelas das Américas",
da Rádio Nacional: é a marcha-rancho Só teu amor,
orquestrada pelo maestro Radamés e, felizmente, gravada ao
vivo na hora da transmissão, lembrando o grande sucesso que
ela fez no carnaval de 1923. Mais um registro inédito, datado
de 1 de março de 1946.
O PINHAL Antes da primeira guerra
mundial, o advogado Virgílio Castilho figurava com relevo na
vida musical do Brasil. Só que ele não usava esse nome.
Preferia ser chamado de Armando Percival. O Pinhal, com
versos de Maria da Cunha, era canção indispensável nos saraus
daquele tempo. Sem jamais ter feito profissão da música,
Virgílio, ou Armando Percival, faleceu em 1975, quando já
muito pouca gente se lembrava dele. O registro que aqui está
foi feito na audição "O Pessoal da Velha Guarda" em 17 de
março de 1948, com Pixinguinha e Benedito Lacerda nos
acompanhamentos.
CASA DE CABOCLO Vem de 1928 o sucesso
desta canção, cujo desfecho está na boca do povo: "numa casa
de cabôco, um é pouco, dois é bom, três é demais". Gravada
pela primeira vez por Gastão Formenti, teve inúmeros
intérpretes e esteve sempre programada nas melhores audições
do rádio, como é o caso do "Pessoal da Velha Guarda". Notem os
violões. São Dino e Meira, que tocavam no Regional de Benedito
Lacerda, naquele 1947 já tão distante, quando foi feita esta
gravação inédita. O dia? Cinco de Novembro.
ALL THE THINGS YOU ARE É outro
flagrante daquele programa "Aquarelas das Américas", de 26 de
abril de 1946, quando Jerome Kern foi a figura central, numa
homenagem ao seu talento e à sua obra. A morte dele, em 11 de
novembro de 1945 emocionou a classe musical do mundo inteiro,
proporcionando oportunidade de fazer uma espécie de revisão de
todo o seu repertório. Aqui o arranjo é de Radamés, dirigindo
a Orquestra da Rádio Nacional, num fonograma inédito.
SAUDADE A flauta é de João de Deus. O
clarinete, em dueto com o canto, é de Abel Ferreira. Os
violões são Carlos Lentini e Rubem Bergman. O cavaquinho é de
Waldemar de Melo. Todos são da "Turma do Sereno", conjunto
brasileiro de serenata. Havia ainda o violino do Irani Pinto e
o clarone do Sandoval Dias , que eram da "Turma" e não estavam
no arranjo. A gravação não tem data definida, mas pode-se
afirmar que ela pertence ao período que vai de 29 de julho de
1949 até saírem do ar os programas da "Turma do Sereno", em
1952.
MELODIA DO MEU BAIRRO Naquele tempo,
Caymmi estava morando na rua Mearim, no bairro do Grajaú,
recém-casado. Mercadores de Peixe, de frutas e de flores
inspiraram o compositor baiano que começava então uma linda
carreira e deram motivo para este samba. Radamés orquestrou
para sua Grande Orquestra Brasileira do programa "Um milhão de
Melodias", mais ou menos entre 1943 e 1945. Na discografia de
Caymmi, não há nenhuma outra gravação desta música até os dias
de hoje, o que torna este fonograma único. Quem tiver o livro
"Cancioneiro da Bahia" (3ª edição), assinado por
Caymmi, com ilustrações de Clóvis Graciano, vai encontrar
melodia e versos nas páginas 136/137, comprovando a
autenticidade da autoria.
ORAÇÃO O pai da pianista Carolina
Cardoso de Menezes e também pianista, Oswaldo nunca chegou a
gravar um disco, apesar de ter falecido em 1935, numa época de
grande produção discográfica. Já o parceiro dele, Zeca Ivo,
tem uma porção de registros conhecidos, inclusive o desta
célebre Oração, canção cantada por ele em disco Odeon
123.191, lançada em dezembro de 1926. Por essa época,
Oração foi uma das melodias mais populares do Brasil.
Era cantadíssima. Pixinguinha, Benedito Lacerda e seu Regional
acompanham o canto que foi gravado, ao vivo, durante o
programa "O Pessoal da Velha Guarda" no dia 22 de outubro de
1947.
Paulo Tapajós -
Setembro.1988 |