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ROBERTO PAIVA - OS ÍDOLOS DO RÁDIO 17 - VINIL

Capricho de rapaz solteiro
(Noel Rosa) inédita
Deixa de ser convencida
(Wilson Batista - Noel Rosa) inédita
Palmeira triste
(Herivelto Martins) inédita
Cansei de pedir
(Noel Rosa) inédita
Três apitos
(Noel Rosa)
Copacabana
(Alberto Ribeiro - João de Barro) inédita
Noutros tempos era eu
(Ataulfo Alves) inédita
Pela décima vez
(Noel Rosa) inédita
Maria da Graça
(Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
Cor de cinza
(Noel Rosa) inédita
Ai que saudades da Amélia
(Ataulfo Alves - Mário Lago) inédita
Pastorinhas
(João de Barro - Noel Rosa) inédita

LP VINIL = R$ 19,00 + envio
CAIXAS COM 25 LP'S PARA REVENDA - DIRETO CONOSCO - R$ 250,00
Copyright © 1989 - Collector's Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

REPERTÓRIO COMENTADO POR JOÃO MÁXIMO - ENCARTE

CAPRICHO DE RAPAZ SOLTEIRO
Este samba - um dos muitos que na década de 30 focalizaram a incompatibilidade entre o malandro e o casamento - dribla os lugares-comuns do tema para se tornar mais um exemplo da genialidade do letrista Noel Rosa. Roberto Paiva reviveu-o na Tupi, a 12 de maio de 1951, quando poucos se lembravam dele (Mário Reis o gravara em 1933, por sinal de maneira soberba). Mas o samba nada perde nesta nova versão. Pena, só, que tanto Mário como Roberto tinham deixado de fora versos como estes, até hoje inéditos: "Muito mais do que canoa/o malandro em terra joga/A canoa afunda à toa/Ele vira e não se afoga..."

DEIXA DE SER CONVENCIDA
Foi no programa de 22 de junho de 1951 que Almirante focalizou o fim da famosa polêmica Wilson-Noel, revelando ao público essa surpreendente parceria dos dois inimigos (Noel colocando nova letra em Terra de Cego, que Wilson fizera para fustigá-lo). Roberto Paiva ficou incumbido de cantar o samba em primeira audição. Aliás, o próprio Roberto gravaria a polêmica em duas ocasiões (a primeira em 1956, na Odeon, com Francisco Egídio, e a outra em 1974, no Studio Hara, com Jorge Veiga). E, estranhamente, em ambas se omitiu Deixa de ser convencida. Este é, portanto, o único registro sonoro do samba feito até aqui.

PALMEIRA TRISTE
Este samba foi o primeiro gravado por Carmem Barbosa, na Victor, em 7.4.37 tendo do outro lado No picadeiro da vida do mesmo autor, em parceria com Benedito Lacerda. Carmem Barbosa morreu aos 23 anos, em 1942 e por isso seus sucessos são pouco lembrados. Naquele mesmo ano de 37, outra Carmem (Miranda) gravava no mesmo Herivelto Martins o famoso Cabaret no morro. Quinze anos depois, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, no programa Viva o samba de 25.6.52, Roberto Paiva cantou novamente a Palmeira Triste do Herivelto Martins e sua interpretação é tão sincera, tão convincente em dizer-se uma "palmeira triste", que o samba, em sua voz, sobrevive. Este é o fonograma que apresentamos aqui. Naquele tempo o samba ainda era motivo de programas de rádio ou televisão.

CANSEI DE PEDIR
Sobre as excepcionais qualidade do samba, já foi feito documentário no volume XIII desta série Os Ídolos do Rádio, dedicado a Aracy de Almeida. Também foi dito ali que ninguém o cantava como Aracy, que afinal o aprendeu do próprio Noel em 1935. Mas o desempenho de Roberto Paiva, a 3 de agosto de 1951, na Tupi, não é apenas um dos melhores momentos deste disco: é também uma prova de que Roberto Paiva tinha voz e sensibilidade suficientes para ousar incursões em repertório alheio. Toda a sinuosidade da melodia - assim como a sutileza da letra - está presente nesta releitura.

TRÊS APITOS
Por motivos pouco sabidos, Noel não gravou, nem deixou ninguém gravar este antológico samba, enquanto ele vivesse. Só em 1951 Aracy de Almeida o levaria ao disco, com orquestração de Radamés Gnattali. Cinco meses depois, a 3 de agosto daquele mesmo ano, Roberto Paiva, então com a orquestra do maestro Carioca, o cantaria na Tupi. Sua versão é correta, contida, mas nem por isso desprovida de cor e calor. O samba é um dos favoritos de Roberto, em toda a rica obra de Noel. Tanto que ele o gravou na Sinter pela mesma época de sua apresentação na Tupi. Quanto ao Três apitos propriamente dito, é mesmo antológico. Bela melodia vestindo versos intocáveis.

COPACABANA
Um clássico que, graças à interpretação sinatracrosbyana de Dick Farney, lançou em 1946 as bases do moderno samba-canção, no qual Lúcio Alves e o próprio Dick seriam as vozes principais. Um clássico com tanto apelo que ninguém atentou para o fato de ter parte da melodia rigorosamente igual a I'll remember april, lançada quatro anos antes no filme Cavalheiros da galhofa, da dupla Abbott & Costello, e logo alçada ao topo do hit parade americano. A versão de Roberto Paiva, no programa Viva o samba de 6 de agosto de 1952, é bem diferente da de Dick Farney. Está mais para samba do que para canção.

NOUTROS TEMPOS ERA EU
Outro bom exemplo da ousadia de Roberto Paiva, da confiança que tinha em suas próprias qualidades a ponto de interpretar canções já consagradas. Aqui, ele revisita o Orlando Silva que gravara este bonito samba de Ataulfo em 1943. E o fez com dignidade e estilo, sem nos induzir a comparações desnecessárias. Aconteceu no programa Viva o samba de 1952. Boa oportunidade para se avaliar não só as virtudes de Roberto como também toda a categoria do mestre Ataulfo.

PELA DÉCIMA VEZ
"O costume é a força que fala mais alto que a natureza...", filosofa Noel para justificar a repetida quebra de um juramento. Samba dos melhores, um dos favoritos do poeta, que não teve a sorte de vê-lo gravado (só dez anos depois de sua morte Aracy de Almeida entraria no estúdio da Odeon para perpetuar-lhe música e letra). "... ela é o veneno que escolhi para morrer sem sentir" é um desfecho tipicamente Noel. Roberto Paiva entrega-se a este samba perfeitamente afinado com sua forma e seu conteúdo. Cantou-o na Tupi em 10 de agosto de 1951.

MARIA DA GRAÇA
Os bossanovistas hão de ter dificuldades de reconhecer Tom & Vinícius por trás deste samba bem tradicional que Roberto Paiva cantou na Nacional em 2 de outubro de 1962 (o próprio Roberto o havia gravado quatro anos antes, ou seja, no mesmo 1958 em que Tom & Vinícius começaram a navegar nas águas da bossa nova). Tanto na melodia, sem maiores ambições formais, como na letra, simplezinha (para usar o diminutivo tão ao gosto do poeta), o samba pouco tem a ver com o estilo que consagraria a dupla. Mas Roberto Paiva empresta-lhe sua costumeira correção.

COR DE CINZA
Quando Roberto Paiva o cantou, na noite de 10 de agosto de 1951, no auditório da Tupi, este admirável samba ainda estava inédito em disco. Só três anos depois Aracy de Almeida o gravaria, por insistência de amigos boêmios que a ouviam interpretá-lo, cheia de sentimento, nas madrugadas daqueles tempos. É uma das obras-primas de Noel. A letra, estranha, meio impressionista, de sentido algo nebuloso, é quase indecifrável. Sei de estudiosos da música popular que já vararam noite buscando explicação para o que o poeta quis dizer com seus versos. Mas a boa poesia não se explica: saboreia-se. A interpretação de Roberto Paiva é excelente.

AI QUE SAUDADES DA AMÉLIA
Todo mundo sabe: este é um dos maiores sambas de todos os tempos. Pela inteligente letra de Mário e pela irresistível melodia de Ataulfo. Dizem os historiadores que o próprio Ataulfo o gravou, em fins de 1941, porque nenhum cantor se interessou. Sorte de Ataulfo e de todos nós, que ganhamos com isso um novo e formidável intérprete de samba. Roberto Paiva enalteceu a "mulher de verdade" no programa Aquarela das Américas, na Rádio Nacional, em 1 de março de 1946. Detalhes: a bateria é de Luciano Perrone e o piano, de Radamés Gnattali.

PASTORINHAS
Outra obra definitiva da nossa música popular. Uma marcha, quase em forma de rancho, que Noel e Braguinha fizeram em 1934. Deram-lhe o nome Linda Pequena. João Petra gravou-a naquele mesmo ano, mas ela só seria lançada em fins de 35. Nada aconteceu. Depois da morte de Noel, Braguinha mudou o título e dois versos, deu para Sílvio Caldas gravar e ganhou o carnaval de 38. Roberto Paiva ousa mais uma vez. Sua Pastorinhas - interpretada no Aquarela das Américas na mesma noite de Amélia - dispensa confrontações: tem encanto próprio.

João Máximo - Março.1989



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