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LENITA BRUNO - OS ÍDOLOS DO RÁDIO 18 - VINIL

I could have danced all night
(A.J.Lerner - F.Loewe) inédita
Wouldn't it be loverly
(A.J.Lerner - F.Loewe) inédita
Tonight
(S.Sondheim - L.Bernstein) inédita
Always
(Irving Berlin) inédita
Shadow waltz
(Al Dubin - H.Warren) inédita
Toot-toot-tootsie
(G.Kahn - E.Erdman) inédita
I can't give you anything but love
(J.McHugh - D.Fields) inédita
They say it's wonderful
(Irving Berlin) inédita
Till there was you
(M.Willson) inédita
Lullaby of birdland
(B.Y.Forster - G.Shearing) inédita
Someone to watch over me
(I.&G.Gershwin) inédita
L'amour, toujours l'amour
(R.Frimi - C.Cushing) inédita

LP VINIL = R$ 19,00 + envio
CAIXAS COM 25 LP'S PARA REVENDA - DIRETO CONOSCO - R$ 250,00
Copyright © 1989 - Collector's Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

REPERTÓRIO COMENTADO POR JOÃO MÁXIMO - ENCARTE

I COULD HAVE DANCED ALL NIGHT
Lançada por Julie Andrews em My fair lady, musical que estreou na Broadway a 15 de março de 1956, convertendo-se logo num clássico do gênero - esta canção ganharia vida própria fora da peça, merecendo incontáveis gravações além da original de Julie. Lerner (1918-1986) e Loewe (1905-1988) foram dois gigantes do teatro. O primeiro, americano, sabia como poucos escrever letras para determinados contextos, mais para servir a uma cena ou um personagem do que para funcionar isoladamente. I could have danced all night é bom exemplo: Elisa Doolitle, a personagem vivida por Julie Andrews, canta sua alegria por ter aprendido a lição de fonética do exigente professor Higgins, isto é, Rex Harrison. Loewe, austríaco, levou para os Estados Unidos muito da tradição melódica da opereta européia. Sua música, embora viva e variada, reflete todo o clima romântico de sua Viena natal. A interpretação de Lenita, fiel à original, é perfeita.

WOULDN'T IT BE LOVERLY
Também lançado por Julie Andrews em My fair lady, esta canção tem um clima bem diferente da anterior. É, na verdade, um shottische que tenta nos remeter à atmosfera das ruas londrinas do começo do século. Lenita evita aqui o acento cockney que Julie, por exigência do texto, imprime à versão original. Vale prestar atenção, também, às orquestrações destas duas primeiras faixas do disco. Seriam de Leo Peracchi? Sendo ou não, seguem muito de perto as que Robert Russel Bennett e Philip J. Lang escreveram para o musical.

TONIGHT
Larry Kert e Carol Lawrence interpretaram a canção, em dueto, no primeiro ato de West side story, musical que chegou à Broadway a 26 de setembro de 1957 e que também se transformaria num clássico. Pela rica música de Bernstein e pelas inteligentes letras de Sondheim, mais tarde passando a escrever a música para seus próprios versos, acabaria sendo "o menino de ouro" do moderno teatro musical americano. Na época, estava apenas começando. Quanto a Bernstein, confina-se hoje às salas de concerto, como compositor, regente e pianista. West side story é a versão novaiorquina, anos 50, da tragédia de Romeu e Julieta. Lenita canta Tonight com uma classe que nada deve à Julieta original.

ALWAYS
Com grande orquestra e coro, Lenita entrega-se de forma sentida a esta bela balada escrita pelo grande Berlin (1988-1989). Embora muitas de suas canções também tenham sido escritas para o teatro ou para o cinema, Always, na verdade uma valsa, é obra avulsa, uma das várias com as quais o compositor e letrista embalou, em 1925, seu rumoroso romance com a milionária Ellin Mckay. Os dois se casariam no ano seguinte. Como tantas histórias de Hollywood, seriam felizes para sempre. Ela morreria dois meses depois do centésimo aniversário dele. Berlin, uma espécie de instituição americana, duraria mais um ano. É impressionante o à-vontade de Lenita com música e letra de Always.

SHADOW WALTZ
Foi um sucesso no mundo inteiro, no Brasil inclusive, o filme Cavadoras de ouro, de 1933. Tinha tudo para dar certo naqueles primórdios do cinema sonoro: um atraente par romântico em Dick Powell & Ruby Keeler, espetaculares números de dança bolados por Busby Berkeley e um irresistível score musical da dupla Warren (1893-1981) e Dubin (1891-1945). Warren foi um dos primeiros melodistas da música popular americana, ganhador de dois Oscars, criador de You'll never know, The more I see you, There will never be another you, Chattanooga Choo-choo, At last e tantas mais. Sua "valsa das sombras" é belíssima, como Lenita bem o demonstra. Uma das jóias daquele antológico filme de 1933.

TOOT, TOOT, TOOTSIE! (GOODBYE)
Nos anos 20, o desejo de todo compositor americano era ter sua música cantada por Al Jolson. Seria sucesso na certa. Nada menos de quatro deles - Erdman (1879-1946), Kahn (1886-1941), Fiorito (1900-1971) e King (1862-1932) - se juntaram para escrever esta contagiante canção. Jolson gostou tanto dela que a incluiu entre os números de Bombo, revista que estreara na Broadway a 6 de outubro de 1921, antes da canção ser feita. E mais: a cantaria também em O cantor de jazz (The jazz singer), de 1927, historicamente o primeiro filme sonoro. Lenita interpreta como se tivesse se formado pela enriquecedora escola do vaudevile.

I CAN'T GIVE YOU ANYTHING BUT LOVE
Dorothy (1904-1974) foi talvez a maior figura feminina da lírica popular americana. Um dia, parou ao lado de um jovem casal que olhava a vitrine de uma daquelas joalherias grã-finas da Quinta Avenida de Nova York. Ao ver a namorada admirar, triste, as jóias que ele não podia lhe comprar, o rapaz disse-lhe: "Não posso te dar nada além de amor, querida". Nasceram assim o título e o primeiro verso da letra que Dorothy escrever para a melodia de McHugh (1894-1969). A canção, depois de recusada por um produtor da Broadway em 1927, seria lançada na revista negra Blackbirds of 1928, a 9 de maio daquele ano. Sucesso espetacular. Lenita canta-a soberbamente.

THEY SAY IT'S WONDERFUL
Annie get your gun foi um dos musicais de maior sucesso na Broadway nos anos 40, tendo estreado a 16 de maio de 1946. As canções foram escritas por Irving Berlin, a maioria delas com o pensamento voltado para a voz, a presença e o carisma de Ethel Merman, a estrela do show. Esta bonita balada, uma das poucas do score, foi lançada pela própria Ethel num dueto com Ray Middleton. Lenita a interpreta num andamento mais lento, nostálgico quase. Aliás, como convém à maioria das canções românticas de Berlin.

TILL THERE WAS YOU
Engana-se quem pensa que esta é uma canção dos Beatles. Eles sequer a descobriram quando a gravaram em 1963. Willson (1902-1984) escreveu-a para o musical The music man. Foi lançada na Broadway na noite de 19 de dezembro de 1957 pelo par romântico da peça. Ele, Robert Preston. Ela, ninguém menos que Barbara Cook, então magra, bonita e com uma voz cristalina como a que Lenita nos mostra aqui.

LULLABY OF BIRDLAND
Esta é uma das peças favoritas dos músicos de jazz, sobretudo os da era bop, que a visitaram e revisitaram das mais variadas maneiras. O Birdland do título é o nome de um club de jazz que havia em Nova York nos anos 50. Shearing, o excelente pianista cego inglês, tocou ali em 1952 e na mesma ocasião escreveu o tema. A letra de Foster é posterior. E, embora valorizada pela interpretação de Lenita, está muito aquém da melodia.

SOMEONE TO WATCH OVER ME
Coube à estrelíssima atriz e cantora inglesa Gertrude Lawrence introduzir esta famosa canção numa das cenas do musical Oh Kay!, cuja estréia na Broadway deu-se a 8 de novembro de 1926. George Gershwin (1898-1937) e seu irmão Ira (1896-1983) são presenças obrigatórias no repertório de qualquer cantor de bom gosto. Principalmente George, por suas melodias originais e suas harmonias avançadas para a época. Muito das qualidades de Lenita como intérprete pode ser avaliado por suas interpretações de uma canção de Gershwin.

L'AMOUR, TOUJOURS L'AMOUR
Friml (1879-1972), natural da Boêmia, foi outro europeu que levou a opereta para a América. Escreveu várias, entre elas The Firefly, the vagabond king e Rose Marie. Curiosamente, uma de suas canções de maior sucesso popular, L'amour toujours l'amour não foi escrita para o palco. É obra isolada que ele compôs sobre os versos de Catherine Cushing (1874-1952), também ela libretista de operetas. Muita gente gravou esta canção, mas não há exagero em dizer que Lenita tornou-a mais bela.

João Máximo - Outubro.1989



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