|
NO BICO DA CHALEIRA
Sucesso do
carnaval de 1909. Apesar de Almirante falar no assunto e o
próprio Edgar repeti-lo, não encontramos na partitura da
música existente na Biblioteca Nacional a segunda parte aqui
cantada. Lá só está o estribilho: "Iaiá me deixa subir esta
ladeira, eu sou do grupo do pega na chaleira, eu sou do grupo
do pega na chaleira". É realmente para nós, um mistério da
segunda parte da música atribuída ao maestro Costa Junior cujo
pseudônimo é reconhecido como Juca Storoni. Por outro lado, há
uma gravação dos Geraldos, com o mesmo nome e a mesma música,
porém com outra letra atribuída a Eustórgio Wanderley, gravada
pela Casa Edison sob o número 108.341, e cujo exemplar
possuímos em nossa discoteca. A origem do nome da música é
explicada por Almirante na própria faixa do disco.
TATU SUBIU NO PAU / PAI ADÃO / POIS
NÃO Cada uma destas músicas tem uma data diferente, ou
seja, pertence a um carnaval diferente: Tatu subiu no
pau é do carnaval de 1923 e foi gravada por Bahiano em
disco Casa Edison número 122.333. Pai Adão é do
carnaval de 1924 e foi gravada também por Bahiano (Casa Edison
número 122.660) e finalmente Pois não, a mais antiga, é
do carnaval de 1921 com interpretação de Bahiano (Casa Edison
número 121.998). As três foram sucesso nos seus respectivos
anos e a explicação dada por Almirante no início da faixa dá
bem uma idéia da importância de Eduardo Souto na música
popular brasileira. Para os que não se recordam, Eduardo Souto
é o autor da famosa música O despertar da montanha que
recebeu uma letra de Francisco Pimentel e foi gravada com
letra, pela primeira vez, por Silvio Caldas (Continental
28.000), em 1946 depois de muitas gravações só
instrumental.
BRAÇO DE CERA / PINIÃO Braço de cera é
do carnaval de 1927 e foi gravada pelo tenor Frederico Rocha
em disco Odeon número 123.224, ainda no tempo da gravação
mecânica. Já Pinião foi gravada pelos Turunas da
Mauricéia em disco Odeon número 10.067 já em gravação elétrica
e foi sucesso no carnaval de 1928. Braço de Cera fora
lançado em outubro do ano anterior na Festa da Penha, que foi
por muito tempo o campo experimental das músicas de muitos
compositores para o carnaval do ano seguinte. Pinião é
uma embolada e não se destinava ao carnaval. Sua repetição
insistente em um alto-falante colocado em um edifício
fronteiro à Galeria Cruzeiro fez com que o povo aprendesse a
letra e transformasse a música num grande êxito do carnaval de
1928.
OS PASSARINHOS DA CARIOCA A música foi
sucesso no carnaval de 1925. Careca - o pseudônimo de Luiz
Nunes Sampaio procura glosar, como diz Edigar de Alencar, as
traquinadas dos pardais do Largo da Carioca que não se
limitavam a cantar. Estragavam roupas e cabeças dos
transeuntes com as suas irreverências incontidas. No texto
apresentado por Edigar de Alencar em seu livro, o tra-la-lá
que Almirante canta quer dizer sujou mas na música gravada por
Fernando (Casa Edison número 122.842) a palavra é cuspiu para
rimar com fugiu.
PÉ DE ANJO Primeiro disco gravado por
Francisco Alves na Popular, uma gravadora surgida em 1919,
pertencente a João Gonzaga, filho de Chiquinha Gonzaga. Do
outro lado do disco, com o número 1.009 aparece a música
Papagaio Louro, também chamada de Fala meu
louro. No disco, o locutor diz textualmente: "O pé de anjo
- marcha carnavalesca por Francisco Alves, disco Popular, Rio
de Janeiro" e "Papagaio louro - cantada por Francisco Alves -
executada pelo Bloco dos Africanos, disco Popular, Rio de
Janeiro.
LA MATTCHITCHE Sobre esta música, além
do que o próprio Almirante menciona no início da faixa, temos
a acrescentar a seguinte informação extraída do livro de
Edigar de Alencar o Carnaval Carioca Através da Música: "Em
fins de 1906, isto é, a 18 de outubro, os jornais noticiavam o
maior crime do ano. Os irmãos Carluccio e Paulinho Fuoco foram
assassinados com requintes de maldade pelos bandidos italianos
Rocca e Carleto. O carnaval de 1907 não deixaria passar sem
glosa o sinistro acontecimento. E aproveitava a melodia, já
popularizada, do famoso passo-doble francês La Mattchitche, de
Borel Clerc, grande sucesso de 1905 em Paris, com a seguinte
quadrinha: "Mandei fazer um terno de jaquetão, pra ver Carleto
e Rocca na detenção. Mandei fazer um terno de jaquetinha, pra
ver Carleto e Rocca na carrocinha".
AI, EU QUERIA A música é do carnaval
de 1928 e foi gravada por Francisco Alves (Odeon número
10.122) e lançada em fevereiro daquele ano. O nome completo de
Vidraça era Augusto de Amaral e o de Pixinguinha era, como
todos sabem, Alfredo da Rocha Viana. A inspiração nasceu do
sucesso carnavalesco do ano anterior: Cristo nasceu na
Bahia, de autoria de Sebastião Cirino e Duque, gravado por
Arthur de Castro em disco Odeon 123.124.
PELO TELEFONE Este é o famoso sucesso
do Carnaval de 1917, considerado o primeiro samba gravado e
que tanta celeuma causou na época. A gravação original é do
Bahiano em disco Casa Edison número 121.322. Hoje é muito
falado, mas quando Almirante trouxe à baila o famoso samba (o
fonograma aqui apresentado é do programa Viva o samba do dia
02.04.52) só uma outra gravação, realizada pelo Conjunto
Regional de Donga com canto de José Gonçalves em 1938 foi
editada pela Odeon sob o número 11.661. José Gonçalves, para
os que não se lembram, é o conhecido Zé da Zilda de tantos
sucessos carnavalescos.
JÁ TE DIGO Como Almirante mesmo fala
no início da música esta talvez seja parte da primeira
polêmica musical da MPB. Depois que Pixinguinha respondeu o
Quem são eles com o Já te digo, Sinhô compôs o
Pé de anjo para fustigar o China, irmão de Pixinguinha,
que tinha um pé muito grande. Quem são eles foi sucesso
no carnaval de 1918 (gravação do Bahiano número 121.445 - Casa
Edison); Já te digo foi sucesso no carnaval de 1919
(gravação também de Bahiano - Casa Edison número 121.535) e
Pé de anjo sucesso do carnaval de 1920 (gravação de
Francisco Alves - Popular número 1.008).
BA...BE...BI... Esta música foi
sucesso no carnaval de 1920 e foi gravada por Bahiano em disco
da Casa Edison número 121.722. Acabou recebendo o nome de
B-A-BA do Careca que era o apelido de Luiz Nunes Sampaio em
virtude de sua alentada calva. Almirante apresentou-a pela
primeira vez no programa Viva o samba, de Haroldo Barbosa,
irradiado no dia 04.10.50 pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro
quando o tema focalizado era "O samba na escola".
MORRO DE MANGUEIRA O sucesso é do
carnaval de 1926 e foi gravado por Pedro Celestino, irmão de
Vicente Celestino, em disco Odeon número 123.029, ainda no
tempo da gravação mecânica. Este samba, segundo Edigar de
Alencar, é "o primeiro a focalizar o morro de Mangueira,
posteriormente utilizado como pedra de toque de dezenas de
sambistas. Também fixou a figura de Claudionor, o estivador,
que logo se integraria na música popular do Rio como uma das
figuras mais características e humanas".
VEM CÁ MULATA Este sucesso pertence,
neste conjunto, ao carnaval mais antigo: 1906. Traz a
denominação de tango-chula e tem a letra de um literato da
época: Bastos Tigre. Segundo Edigar de Alencar a música nasceu
antes, em 1902, mas só chegou ao seu clímax de sucesso no
carnaval de 1906. A música é dedicada ao Club dos Democráticos
e foi gravada por Pepa Delgado e Mário Pinheiro em disco da
Casa Edison número 40.407. A discografia brasileira em 78 rpm
organizada por Alcino Santos, Gracio Barbalho, Jairo Severiano
e M.A. de Azevedo (Nirez) fala em sete gravações da música mas
a primeira é a mencionada.
José Maria Campos Manzo -
Set.1989 |