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REPERTÓRIO COMENTADO DO VOLUME I
CASINHA PEQUENINA
- Autor desconhecido
A modinha é o mais antigo gênero de nosso cancioneiro, existindo desde o século XVIII. E dentre todas as modinhas nenhuma seria tão gravada como a Casinha pequenina, canção paradigma dos temas de amor ambientados na vida campestre. Lançada em disco por Mário Pinheiro, em 1906, ela aparece em gravações dos mais variados intérpretes como Bidu Sayão, Cascatinha e Inhana, Radamés Gnattali e até do tenor italiano Beniamino Gigli. Sua discografia é aqui enriquecida por uma suave interpretação de Francisco Alves, bem ao estilo exigido pela peça. Interpretação inédita.
QUEM FOI
- Nestor de Holanda - Jorge Tavares
Jornalista e escritor consagrado, o pernambucano Nestor de Holanda ainda encontrava tempo para fazer boas composições, como Quem foi - parceria do cantor Jorge Tavares. Sobre esse samba, recordava Nestor: "a idéia surgiu de repente numa caminhada noturna. Então, temendo esquecer o tema, acordei o Jorge (que era meu vizinho de bairro) e antes do sol raiar a produção estava pronta". Quem foi seria um dos grandes sucessos de 1947, na voz de Araci de Almeida, que a princípio relutou em gravá-lo. Interpretação inédita.
DORA
- Dorival Caymmi
Dorival Caymmi começou a escrever Dora numa noite de 1942, no bar do Grande Hotel, em Recife. "A musa inspiradora", conta o compositor, "foi uma mulata sensacional que naquela ocasião desfilou em frente ao hotel, dançando o frevo num bloco". Caymmi demoraria, então, bastante tempo para concluir (como é de seu feitio) somente lançando-a três anos depois. Um dos raros grandes sambas dos anos 40 que não foram lançados por Chico Alves, Dora pode ser agora apreciada nesta bela interpretação do cantor. Pena que o arranjador tenha ignorado a introdução original, em forma de frevo, uma bossa do mestre Caymmi. Interpretação inédita.
INCERTEZA
- Mário Lago
O fox brasileiro, um gênero influenciado pelos musicais de Hollywood e cultivado, sobretudo, pela classe média, ocupou lugar destacado na no período 1935/45. Depois saiu de moda à medida que crescia o prestígio do bolero e do samba-canção. Mário Lago, co-autor dos clássicos Nada além e Dá-me tuas mãos, é o criador de Incerteza, um dos últimos foxes a alcançar o sucesso. Interpretação inédita.
ESTRANHA COINCIDÊNCIA
- Lamartine Babo
Cantado por Chico Alves na década de 40, este samba-canção de Lamartine Babo possui uma melodia de excelente qualidade e, por certo, teria sido sucesso se registrado em disco na época. Estranha coincidência, no entanto, permaneceu desconhecido do grande público, só tendo uma gravação comercial, a da cantora Ana Cristina em 1955. Interpretação inédita.
MARIA DA PIEDADE
- Evaldo Ruy
Habitualmente apenas letrista (foi o parceiro mais assíduo de Custódio Mesquita), Evaldo Ruy Barbosa mostra em Maria da Piedade que também sabia fazer melodias. Tal como Estranha coincidência, esta composição não seria gravada por Francisco Alves, cabendo a Maurici Moura lançá-la em disco em 1952. Interpretação inédita.
CONFESSANDO QUE TE ADORO
- José Carlos Burle - J.G.de Araújo Jorge
Por muitos anos adotou-se na fonografia brasileira a praxe do repertório exclusivo, raras vezes se permitindo que uma canção fosse gravada por mais de um intérprete. Assim, só em programas ao vivo tinha-se a oportunidade de comparar interpretações, como é o caso desta versão de Francisco Alves para confessando que te adoro, do repertório de Silvio Caldas, agora finalmente resgatada. A prática da exclusividade foi abolida a partir de 1947, com o êxito do lançamento de Marina (de Dorival Caymmi) por quatro cantores. Interpretação inédita.
QUANDO FOI, PORQUE FOI
- Fernando Lobo
No final da década de 40, os sambas românticos disputavam com os boleros as principais colocações em nossas paradas de sucessos. Um espécime típico da época é Quando foi, porque foi, outro samba-canção que Chico cantou no rádio e Araci de Almeida no disco. Interpretação inédita.
VELHO BAR
- Klécius Caldas - Armando Cavalcanti
Velho Bar é a primeira composição da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti. Oficiais do Exército, eles entraram para a MPB com sucessos em diversos gêneros como Somos dois, Palavras amigas (sambas-canções), Boiadeiro (toada), Piada de salão, Maria escandalosa e Candelária (marchas carnavalescas). Lançada por Chico num programa de 1948, Velho bar esperou muitos anos para ser gravada por Helena de Lima. Interpretação inédita.
LUAR DE PAQUETÁ
- Hermes Fontes - Freire Júnior
Esta é talvez a mais popular das canções que Paquetá inspirou. Gravada pelo Bahiano da Casa Edison, em 1922, ela está na discografia de cantores famosos como Vicente Celestino, Orlando Silva, Carlos Galhardo e agora Francisco Alves. Detalhe curioso: Chico comete um engano no verso inicial, cantando "nestas noites dolorosas" em vez de "nestas noites olorosas", um erro muito comum - e até engraçado, diga-se de passagem - entre os intérpretes de Luar de Paquetá. Interpretação inédita.
RUGAS
- Nelson Cavaquinho - Augusto Garcez - Ari Monteiro
"Se eu pensar muito na vida morro cedo, amor" diz o samba Rugas. Nelson Cavaquinho, poeta boêmio que seguindo a filosofia do verso, viveu o bastante para alcançar somente na velhice o reconhecimento de seu talento. Antes, vendeu muita música, sendo Rugas - gravada por Ciro Monteiro em 1946 - uma das poucas que tiveram sua autoria registrada, antes dos anos 60. A interpretação de Francisco Alves é uma das melhores deste álbum. Interpretação inédita.
RUA BELA
- Herivelto Martins
Sambas como Segredo, Caminhemos, Ave Maria no morro, Cabelos brancos, Praça Onze, entre outras, credenciam Herivelto Martins como o compositor de maior sucesso na década de 40. A essa extensa lista junta-se Rua Bela, uma composição da época que só agora é editada em disco. Pela qualidade de sua melodia, principalmente, este samba-canção pode figurar entre as melhores obras de Herivelto. Interpretação inédita.